13 de jul. de 2010

A surpresa de Deus

“Certo credor tinha dois devedores. Um lhe devia quinhentas moedas de prata, e o

outro cinquenta. Como não tivessem com o que pagar, o homem perdoou a ambos. Qual deles o amará mais?” Esta brevíssima parábola com a pergunta final de Jesus na casa do fariseu Simão (ver Lc 7,36-50) é uma chave preciosa para nos introduzir num dos temas mais apaixonantes da Bíblia: a teologia da graça. A cena acontece por ocasião de uma refeição na casa do fariseu. Há um fato incomum, uma mulher, conhecida como pecadora, sem ser convidada, está presente e com gestos inesperados de ternura e humildade exprime o seu arrependimento e sua gratidão a Deus, lavando enxugando-

beijando-ungindo os pés de Jesus. São gestos que manifestam acolhida e caridade para com o hóspede; essa mulher, pecadora, os faz; Simão, considerado justo, nem se preocupou em fazê-los. Para Simão, apegado às regras de pureza dos fariseus, entrar em contato com uma mulher dessas, e logo durante a refeição, é contrair uma impureza legal tão grande que só um sacrifício muito grande pode limpar. Simão fica espantado por Jesus não ter repudiado a mulher, permitindo que ela o tocasse. Pensou consigo: só pode que Jesus não é profeta! Conforme a compreensão dos fariseus, o repúdio à mulher seria para eles a prova de que Jesus realmente era profeta. A surpresa veio quando Jesus declarou à mulher que seus pecados estavam perdoados, sem exigir nada que representasse uma “paga”. Os fariseus acreditavam que aquela mulher, por ser pecadora, deveria de alguma forma ser punida, pagar por isso, e jamais poderia ser objeto de uma graça ou favor de Deus enquanto permanecesse no pecado. Parece até que eles não acreditavam mais na possibilidade da conversão da mulher, pois não entenderam o choro e as lágrimas dela como sinais de seu arrependimento, o que abriria a porta para o perdão de Deus. Por ser pecadora, a mulher nunca poderia receber uma graça ou favor de Deus. Ele a declarou perdoada, gratuitamente purificada. Para os fariseus isso era inadmissível. Não foram os gestos da mulher que provocaram

a declaração do perdão, mas o contrário: a certeza do perdão de Deus provocou na mulher essas atitudes. “Tua fé te salvou. Vai em paz”. Cabe perguntar: é por essa compreensão do amor de Deus que orientamos a vida cristã em nossas famílias e comunidades!? Cremos na surpresa do amor misericordioso de Deus!?

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