28 de abr. de 2010

Educação e trabalho no séc. XXI

Partindo do entendimento de que o trabalho dignifica a vida humana, procurando

definir a palavra trabalho poderíamos dizer que a mesma significa: "toda ação ou atividade de transformação da natureza ou do ambiente em que se vive". As concepções de trabalho são diferentes, como é diferente a análise e interpretação de diferentes culturas perante algum tema. Assim o trabalho não pode ser interpretado como apenas a ação que emprega o esforço físico, pois em pleno decorrer do século XXI, vivenciamos mudanças também nesta questão. Hoje a busca da realização pessoal, financeira, profissional, faz existir uma vasta gama de ramos de diferentes formas de trabalho, que vão desde o trabalho que agrega a força muscular, até as chamadas novas formas de trabalho: em casa, sem patrão, sem horário fixo, sem salário pré-estabelecido, e com o uso da internet. Nesta análise, observamos que a valorização ou desvalorização de algumas formas de trabalho aparece cada vez mais presente. Se olharmos, por exemplo, para o âmbito educacional, podemos fazer uma séria observação: a escola desde o seu surgimento como instituição aberta e de acesso a todos, fixou-se como um ponto norteador para os futuros profissionais. Por décadas, a instituição escola, direcionou os

educandos a determinadas áreas de trabalho, buscando orientar seus currículos à escolha de um determinado trabalho. Hoje a mesma instituição se coloca como esclarecedora, como mediadora, como orientadora, colocando seus educandos no caminho da busca do querer saber mais, querer buscar mais, querer se apossar do conhecimento já construído, pois é este o seu trabalho. Apesar da desvalorização do trabalho dos educadores, que não são meros profissionais em educação, existe um grande desejo de levar à comunidade a visão construtora e por que não, sonhadora, dos educadores, buscando fazer com que a ação do seu trabalho seja vista não só como a busca da satisfação financeira, mas principalmente a consciência de que é possível fazer um mundo melhor, com a busca incansável da igualdade, da justiça, e da compreensão de que não importa o que se faz ou se considera trabalho, desde que seja digno, que não busque apenas a

recompensa financeira, mas a plena realização do ser como humano, e não apenas como mais um ser escravo de seus desejos consumistas. Sendo assim, o trabalho de qualquer cidadão deve ser reconhecido e valorizado por cada um no seu particular, mas principalmente reconhecido perante a sociedade como necessário e digno.

Por Dorotéia Aparecida Bilhalva

Professora de História em Santo Cristo

Um sonho de trabalho

Ócio criativo como nova forma de trabalhar na era pós-industrial

Sociólogo italiano, Domenico de Masi, propõe uma nova forma e organização do trabalho, com sentido

mais humano, entendido como ócio criativo. A proposta vai na contramão da forma de trabalho do

capitalismo atual, onde temos que "almoçar os outros antes que eles nos jantem".

As ideias que apresentamos nesse texto são de uma entrevista de Domenico de Masi a Mario Persona (consultor, escritor e palestrante). A questão de fundo é pensar um trabalho onde as pessoas pudessem fazer apenas aquilo que gostam. Como seria possível viver fazendo apenas o que se gosta? Mas, nesse fazer está incluído o trabalho, entendido não como um fardo e sim como algo que se mistura com lazer, estudo, onde não é possível ter uma divisão e distinção nítida de um e de outro.

De Masi defende "a ideia que é chegado o momento de cultivarmos o ócio criativo para uma nova era. Utopia? Não. Cada vez mais pessoas e empresas aderem aos seus conceitos e passam a ter vidas mais felizes e produtivas". Essa compreensão de trabalho já tem aceitação de muitas pessoas e empresas, sobretudo, as que estão ligadas as formas de tele-trabalho, usando das novas tecnologias. "Os ganhos tangíveis consistem no fato de que se consegue produzir mais bens e serviços com menor esforço físico e menos stress intelectual. Os ganhos intangíveis estão na possibilidade de se usufruir, em tempo real, de uma rede de interlocutores, de amigos, de colaboradores".

Dar internet para todos e informatizar todo trabalho?

Para De Masi a informatização está nas mãos de alguns grupos que faturam verdadeiras fortunas. E, mesmo que os países ricos pensam que é preciso dar internet para todos os povos, "de espontânea vontade os ricos nunca darão nada aos pobres. É necessário que os pobres saibam defender os seus direitos e obter as próprias vantagens. Em todos estes anos nos quais o G7 se reuniu, na América o número de presos dobrou e em todo o mundo aumentou a distância entre ricos e pobres" afirma De Masi. As vantagens do tele-trabalho são inegáveis: economia de tempo, dinheiro e stress. No entanto, sozinho ele não assegura uma criatividade que permite ter mais tempo, mais felicidade, mais relações pessoais que nos fazem felizes. Para De Masi, "uma relação de trabalho ideal permite aos trabalhadores não apenas ganhar dinheiro, mas também de satisfazer as necessidades de introspecção, amizade, amor, diversão, beleza e convivência".

O que muda no sistema de sociedade com uma forma de trabalho que seria prazeroso, um ócio criativo?

Vai mudar a economia que está baseada na forma como trabalhamos atualmente. Para que essa mudança aconteça é preciso uma relação de mudanças estruturais

e culturais em conjunto. "Eu espero que a difusão de minhas ideias consiga criar um grupo crítico de pessoas dispostas a mudar realmente o seu modelo de vida e lutar para conquistar a felicidade" afirma De Masi. Já há grupos e empresas que estão se organizando em torno de uma nova forma de trabalho, inclusive no Brasil. "No Brasil é suficiente ver o caso de Ricardo Semler em São Paulo, o caso de Lerner em Curitiba, o caso de Oscar Niemeyer no Rio". Para De Masi, o "ócio criativo é uma arte que se aprende e se aperfeiçoa com o tempo e com o exercício. Existe uma alienação por excessode trabalho pós-industrial e de ócio criativo, assim como existia uma alienação por excesso de exploração pelo trabalho industrial. É necessário aprender que o trabalho não é tudo na vida e que existem outros grandes valores: o estudo para produzir saber; a diversão para produzir alegria;

o sexo para produzir prazer; a família para produzir solidariedade, etc.".

Descontentamento com a forma de vida

Sabemos que todos estamos, de um modo ou de outro, descontentes com o modo de vida que levamos dentro da organização de trabalho e da sociedade em geral.

Para De Masi, "a maioria das pessoas que concorda com as minhas ideias sente uma real necessidade de modificar o modelo de vida imposto ao ocidente americanizado sob o impulso do pensamento empresarial: competitividade cruel, stress existencial, prevalência da esfera racional sobre a esfera emocional". O uso da tecnologia para efetivar uma mudança no trabalho vai acontecer dependendo do tipo de riqueza que se quer buscar. "Ricos economicamente? Hoje já é usada com esta finalidade. Ricos humanamente? Quando substituirmos uma sociedade competitiva por uma sociedade

solidária". Essa mudança, que requer uma dimensão de organização da sociedade em termos mais humanos e solidários, coloca a seguinte questão: "É possível humanizar o capitalismo?" "O capitalismo é baseado no egoísmo e na competitividade: isto é, sobre premissas brutais, não humanas. Portanto é impossível humanizá-lo".

Trabalho do prazer ou prazer do trabalho?

Logo surge a questão: alguém iria trabalhar realmente? Essa pergunta precisa mudar o sentido porque a própria ideia de trabalho já não é a mesma. O trabalho não

pode ser visto como desprazer, como uma corrida louca por bens que nos faz escravos do dinheiro. De Masi procura pensar em termos de prazer

em trabalhar. "Eu não gosto do ócio puro: depois de um pouco de tempo, me aborrece. Eu gosto do ócio "criativo": isto é, a síntese do trabalho, do estudo e da diversão. O ócio criativo nunca me aborrece".

Cuidado com a vírgula

Muito bonita a campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa).

Vírgula pode ser uma pausa… ou não.

Não, espere. | Não espere.

Ela pode sumir com seu dinheiro.

23,4. | 2,34.

Pode criar heróis.

Isso só, ele resolve. | Isso só ele resolve.

Ela pode ser a solução.

Vamos perder, nada foi resolvido. | Vamos perder nada, foi resolvido.

A vírgula muda uma opinião.

Não queremos saber. | Não, queremos saber.

A vírgula pode condenar ou salvar.

Não tenha clemência! | Não, tenha clemência!

Cuidado com a Saúde

Pastoral da Criança empenhada

no combate da desnutrição e da obesidade

A desnutrição e a obesidade são problemas que devem ser combatidos para que as crianças possam se tornar pessoas adultas com saúde e qualidade de vida. A PACRI propõe as seguintes orientações para combatê-los: - Em relação à criança desnutrida, a nova recomendação é que se ela estiver desnutrida após os dois anos de idade, deve ganhar peso, mas sem subir acima da linha da desnutrição. - Pesquisas indicam que, se essa criança ganhar peso acima dessa linha, ela pode se tornar um adolescente ou adulto obeso, além de ter mais chances de desenvolver diabetes, pressão alta e problemas no coração. É importante que ela não ultrapasse a linha da desnutrição e que para isso, tenha uma alimentação saudável. - Uma alimentação saudável é a chave para que as crianças ganhem peso de maneira equilibrada e não se tornem obesas. O fundamento dessa nova recomendação é o seguinte: - até os dois anos, uma criança desnutrida recupera peso e altura; - depois dos dois anos, a criança já estabeleceu um canal de crescimento. Isso significa que ela vai crescer mas não conseguirá recuperar mais a altura (vai ficar mais baixinha do que se não fosse desnutrida antes dos dois anos); Por exemplo: uma criança com boas oportunidades de crescimento (bom peso ao nascer, aleitamento materno, dieta adequada, atendimento médico adequado/vacinas) teria uma mediana de altura de 87cm aos dois anos; com a mesma idade, uma criança mediana de países subdesenvolvidos teria 82cm (cinco centímetros a menos). Entre dois e cinco anos, ambas as crianças crescem igual, ganhando 22 a 23 cm. Com isso, a criança com oportunidades chegaria aos 110cm aos 05 anos; com a mesma idade, uma criança mediana da América Latina e Caribe teria 104 cm (06 centímetros a menos). Em resumo: com ou sem Pastoral da Criança, as crianças entre 02 e 05 anos ganharão 22

centímetros, mas se a Pastoral da Criança acompanhar as crianças desde o ventre materno, essas não perderão 05 centímetros antes dos dois anos. - E embora a criança não recupere altura depois dos dois anos, ela pode ganhar mais peso, ficando com muito peso para sua altura e tendo maiores chances de se tornar obesa. Uma criança desnutrida deve ser recuperada antes dos dois anos de vida. Depois disso, deve ganhar peso acompanhando a curva, mesmo que permaneça desnutrida.

Então, como devemos acompanhar o crescimento dessas crianças? Existem alguns métodos para verificar se o peso da criança está proporcional a sua altura. A Pastoral da Criança está testando alguns destes e, com o tempo, irá propor um jeito que ajude as líderes a identificar crianças com base no bom senso: a criança parece magra? Embora esteja com peso bom para a idade, a criança parece gordinha porque é baixinha? E como evitar que crianças, desnutridas ou não, se tornem obesas? - Sempre incentivar uma alimentação saudável, baseada em frutas, verduras, legumes, cereais, feijão, carnes magras, etc.; - Incentivar que as crianças brinquem muito,

para gastar energia e evitar que aumente muito seu peso; - Evitar uma alimentação calórica, rica em pães, massas, biscoitos, salgadinhos, doces, refrigerantes, açúcar, pois esses alimentos provocam o aumento do peso da criança, podendo torná-la obesa. Para que todas as crianças tenham vida em abundância, a Pastoral da Criança precisa iniciar o acompanhamento das crianças muito antes dos dois anos de vida: desde a gestação.

Por Márcia Mendes Mamede | Caroline Dalabona

e Nelson Arns Neumann

Santo Cristo é atingido novamente pela fúria dos ventos



Mais uma madrugada de angústia, tensão e medo se abateram sobre Santo Cristo e região no dia 22 de março. Fomos dormir sem a menor preocupação com o tempo. Até que o furor de um impetuoso vendaval trouxe novo pânico a todos os lares. Já não bastasse o desespero do dia 30 de novembro do ano passado!...Em questão de 03 meses Santo Cristo foi invadida por duas impiedosas calamidades, transformadas em ventos de mais de 100 km por hora. No dia 30 de novembro de 2009, também numa segunda-feira de madrugada, um tornado atingiu a cidade, danificando toda cobertura e vitrais da Igreja Matriz, além do Colégio Leopoldo Ost, casas comerciais e inúmeras residências. Desta vez os ventos sopraram atingindo o outro lado da cidade, incluindo também em sua trajetória de destruição, o seminário Pe. Adolfo Gallas, com 40% do telhado destruído, 900m² de zinco. Como se fôssemos demarcar cidade: o primeiro tornado atingiu a Igreja e o centro da cidade até a praça da prefeitura. Agora foi da praça para o lado do seminário. Só que agora muitas residências pobres foram atingidas e muitos ficaram sem abrigo. Os ventos eram tão fortes que chegaram a deslocar por inteiro casas de madeira e coberturas construídas sobre fortíssimo fundamento, 700 famílias foram afetadas e 22 casas completamente destruídas. Os telhados voaram distâncias inimagináveis. Um senhor da Vila Phillippsen foi encontrar uma parte da cobertura de sua oficina a cerca de 1000 metros de distância.

Capela, Centro Comunitário e Seminário

Algo estarrecedor e assustador deu-se com uma das Igrejas mais lindas da nossa Paróquia. A Capela Nossa Senhora de Fátima de Linha Mirim simplesmente implodiu. É uma igreja arredondada que proporcionava com seu visual o estilo de relacionamento que deve-se dar entre nós: estar em círculo, ao redor do Mestre.

Fosse isto acontecer durante uma celebração, salvar-se-ia talvez o padre e os coroinhas por estarem atrás do altar, sob uma pequena cobertura que abriga a imagem de Nossa Senhora de Fátima. O Centro Comunitário da Vila Phillippsen também foi seriamente atingido, assim como centenas de casas de vários bairros, interior e cidade. Tem famílias que até a louça foi totalmente destruída. Ficaram sem nada. O Seminário Pe. Adolfo Gallas, referência de formação em nossa Diocese, teve sua cobertura danificada. Toda parte do atual Propedêutico - antiga moradia das irmãs - foi completamente descoberta. Inúmeras árvores foram destruídas, retorcidas cobertas pelos destroços do zinco que voou do seminário. O campo de futebol parecia uma "praça de guerra".

A solidariedade

Nas duas catástrofes, assim que a fúria dos ventos se amenizou, o povo estava na rua e encontrando e ajudando uns aos outros, mesmo na escuridão da noite, a cobrir as casas atinatingidas, recolocando telhas e cobrindo com lonas. O mais bonito foi como os vizinhos se organizavam para abrigar os desabrigados. Ninguém precisou ser transportado para outros abrigos. Os vizinhos que não tinham as casas atingidas,

se encarregavam da acolhida e consolo. Agora estamos motivando as comunidades a prestar ajuda de toda forma aos atingidos. É importante ressaltar que entre um tornado e outro, deu-se a catástrofe do Haiti. E o povo santo-cristense contribui com uma quantia considerável. Quando somos atingidos pela perda e pela dor entendemos melhor a dor do nosso irmão que sofre. É por isso que estamos agora apelando para a solidariedade de irmãos que queiram nos socorrer.

Como podemos ajudar Quem puder e quiser ajudar-nos, faça chegar sua contribuição diretamente à Paróquia ou ao seminário, visitando-nos. Também poderão nos ajudar através de depósito no Banrisul – agência 0850 conta 41851323.0-2, ou Sicredi - agência 0335 conta 60124-1, informando-nos de onde procede o auxílio. Sem mais, nosso desejo de que o Deus da vida e da esperança, que poupou todas as nossas vidas, nos conceda paz e uma Páscoa feliz e abençoada.

Pe. Eugênio João Hartmann

Igreja Nossa Senhora de Fátima de Linha Mirim - Santo Cristo

Parte do telhado do Seminário

Pe. Adolfo Gallas de Santo Cristo

Trabalho como fonte de felicidade

Neste tempo de reflexão, de pensar em torno da relação entre economia e vida, pode-se

perguntar: qual a relação que se estabelece com o trabalho? Trabalho como forma de

acumulação incansável de bens? Ou um trabalho que gere e que leve a viver melhor e a

buscar a felicidade? Partindo deste questionamento, propõe-se um olhar para o Livro do Eclesiastes capítulo 4, versículos 8 e 9. Um homem sozinho, que não tem ninguém,

nem filho, nem irmão. Apesar disso, não deixa de se afadigar, nem de se fartar com

riquezas. Para que ele se afadiga e se priva da felicidade? Isso também é fugaz e trabalho inútil. O Eclesiastes reflete em torno da felicidade, e coloca a relação com o trabalho como algo primordial em sua busca. Pois uma pessoa que está sozinha a trabalhar para se fartar com riquezas se priva desta busca da felicidade. No entanto, continua dizendo que mais vale estar a dois do que estar sozinho, porque dois tirarão maior proveito do seu trabalho. Incorpora aqui uma proposta de relação com o trabalho, onde a pessoa não está sozinha, mas em dois ou mais, pois assim tirarão maior proveito

do seu trabalho, não no sentido de acumular, mas sim de poder desfrutar do resultado

do trabalho como busca da felicidade. Essa relação do trabalho como busca da felicidade está fortemente relacionada com o trabalho solidário. Um trabalho que não visa somente as suas próprias necessidades, mas também as necessidades das pessoas que estão ao lado e mais necessitadas. A Campanha da Fraternidade leva a pensar neste

sentido, servir a Deus é servir aos irmãos mais necessitados. E o Eclesiastes convoca a

cada um se unir a outros que já realizam trabalho solidário, pessoas que trabalham para ajudar o próximo. Pois assim, não pensando no trabalho como acúmulo de riqueza, mas como forma de partilhar e ajudar, certamente será mais fácil buscar a felicidade. Esta recompensa talvez não seja material, mas sim, alegrar-se ao ver um sorriso no rosto de alguém que já não mais sorria.

Laborterapia, o trabalho como terapia

O valor e o sentido do trabalho nas comunidades terapêuticas no processo de melhoria da qualidade de vida

As comunidades Terapêuticas, enquanto método, compreendem-se em ensinar as pessoas a usar o contexto da vida comunitária para aprenderem sobre si mesmos. Sobre o trabalho elucidamos que, juntamente com a espiritualidade e a disciplina, forma os três referenciais que dotados de sentido para uma melhor qualidade de vida, direcionam os objetivos do Projeto Itajubá. A Laborterapia realizada pelo residente vem a oportunizar a aprendizagem das atividades em si, bem como auxiliar na reconstrução de suas capacidades já adquiridas, na organização de suas ideias, sentimentos, responsabilidades e cuidados consigo mesmo e com o outro, na persistência, enfim, em todo o processo que visa desenvolver a sua autonomia. Através dos trabalhos nos diversos setores aos quais o residente exerce, percebemos que a sua dedicação, a sua responsabilidade, geram com o tempo e o ritmo de cada um, uma maneira peculiar e criativa que vêm a fortalecer sua autoconfiança e auto-estima. Não raro encontramos talentos que estavam adormecidos no indivíduo, e uma vez em contato com o trabalho, possibilitou a sua realização e gratificação pessoal. Tendo em vista a necessária socialização dos residentes, observamos que, através do trabalho, há um "trabalhar-se", pois é na relação com o outro que emergem sentimentos e impulsos que podem proporcionar

um crescimento e amadurecimento emocional. Amadurecimento este baseado no desenvolvimento da cooperação, na aceitação de elogios e críticas, respeito as figuras de autoridade, tolerância ao lidar com a desaprovação e frustrações,

bem como saber reconhecer-se responsável por suas atitudes perante a si e perante aos outros. Cabe ressaltar que, o que no início dos trabalhos para alguns residentes pode ser visto e tratado como algo mecânico e imposto pelo programa, no decorrer da recuperação e segundo a maneira que cada um se descobre e se identifica com as atividades, com empenho e amor, transforma-

se em instrumento, em alicerce para sua identidade, visto que potencializa o seu Eu capaz, o Eu eficaz, o Eu repleto de valores, o Eu sujeito, o Eu cidadão refletindo em um Nós comunidade, um Nós família, um Nós fraternidade.

* Psicóloga - Comunidades Terapêuticas

Os desafios do mundo do trabalho

Pe. Edegar Soares de Matos

Falando com uma mulher, que foi empregada doméstica no Brasil e mudou-se para os Estados Unidos há um bom tempo, lá também casando, contava ela que trabalha em três lugares. Chega a realizar 80 horas de trabalho por mês. Indagava à mesma: mas isso é escravidão!!! E ela: não é, pois eu gosto do que faço, estou ganhando meu salário, estou melhorando minha vida e presto serviço e ajudo a outros. Com esse trabalho todo posso ajudar minha família e ainda posso mandar um dinheirinho até para obras sociais e para a Igreja aqui no Brasil. Dizia isso com dignidade e alegria. Diante de tanta convicção, fiquei quieto e tive que aceitar a situação. Ou seja, ela não deixa que venham até sua casa oferecer-lhe alguma coisa, ao contrário, vai à busca. Chama-se o/a empreendedor a do trabalho. Nunca falta! Ou seja, é preciso ir à busca do que fazer, de como ser útil. Que é o trabalho? É uma atividade que empreendemos para melhorar a nossa vida, a vida dos outros e o mundo. É a atitude humana que mais dignifica e realiza - poder ser útil, poder ajudar, poder fazer alguma coisa. E todos podem fazer algo? Inclusive quem está acamado, doente ou numa cadeira de rodas? Sem dúvida, todos têm o que fazer. Trabalho é fazer o que precisa para si, é limpar a casa, é acolher as pessoas, é exercer algum trabalho manual, é ler, é estudar, é rezar pelo outro, é ouvir... Há tantas frentes de trabalho - os trabalhos comunitários, que significa dedicar-se a uma comunidade, a uma instituição. O trabalho voluntário é o que mais traz satisfação para o ser humano. Ou seja, envolver-se nas horas vagas no trabalho voluntário pela melhoria de seu bairro, de seu prédio, de sua igreja... Feliz trabalhador, trabalhadora, que faz de sua vida um instrumento de continuidade da obra do Divino Trabalhador e, por sua vez, deixa uma marca especial neste mundo.

Sim, creio na Ressurreição

É a maior notícia! Jesus Cristo ressuscitou! É o fundamento da fé cristã, conforme afirma São Paulo: "Se nós pregamos que Cristo ressuscitou dos mortos, como é que alguns

de vocês dizem que não há ressurreição dos mortos? Se Cristo não ressuscitou a nossa pregação é vazia e também é vazia a fé que vocês têm" (1Cor 15,13-14). É importante notar que o Novo testamento não fala de uma auto-ressurreição de Jesus, mas acentua que Deus Pai o ressuscitou. Neste fato transparece a profunda realidade do mistério da encarnação. Jesus, o filho de Deus, assumiu a natureza humana de maneira plena e total Faz parte desta natureza, porém, que o homem não é capaz de se auto-ressuscitar. Ele deve ser ressuscitado por Deus, assim como o filho de Deus, que se tinha tornado homem, foi ressuscitado por Deus. Ressurreição, então, é algo bem diferente de reencarnação? É totalmente diferente.

A ressurreição não é simplesmente uma volta a um estado de ser humano igual àquele que já foi vivido antes, dentro do mesmo mundo físico. Ressurreição é a transformação radical

de tudo aquilo que uma pessoa é. Passando por esta transformação, pelo agir de Deus, a pessoa pode alcançar a sua plenitude. Ressuscitando Jesus, Deus comprova que ele se solidariza com Jesus e com tudo aquilo que este Jesus tinha dito e feito. É hora de ler em Atos dos Apóstolos: 2,24; 3,6; 5,41; 10,39-43; 17,30-34; 23,6; 26,6-8.

Sim, creio na ressurreição!