28 de abr. de 2010

Laborterapia, o trabalho como terapia

O valor e o sentido do trabalho nas comunidades terapêuticas no processo de melhoria da qualidade de vida

As comunidades Terapêuticas, enquanto método, compreendem-se em ensinar as pessoas a usar o contexto da vida comunitária para aprenderem sobre si mesmos. Sobre o trabalho elucidamos que, juntamente com a espiritualidade e a disciplina, forma os três referenciais que dotados de sentido para uma melhor qualidade de vida, direcionam os objetivos do Projeto Itajubá. A Laborterapia realizada pelo residente vem a oportunizar a aprendizagem das atividades em si, bem como auxiliar na reconstrução de suas capacidades já adquiridas, na organização de suas ideias, sentimentos, responsabilidades e cuidados consigo mesmo e com o outro, na persistência, enfim, em todo o processo que visa desenvolver a sua autonomia. Através dos trabalhos nos diversos setores aos quais o residente exerce, percebemos que a sua dedicação, a sua responsabilidade, geram com o tempo e o ritmo de cada um, uma maneira peculiar e criativa que vêm a fortalecer sua autoconfiança e auto-estima. Não raro encontramos talentos que estavam adormecidos no indivíduo, e uma vez em contato com o trabalho, possibilitou a sua realização e gratificação pessoal. Tendo em vista a necessária socialização dos residentes, observamos que, através do trabalho, há um "trabalhar-se", pois é na relação com o outro que emergem sentimentos e impulsos que podem proporcionar

um crescimento e amadurecimento emocional. Amadurecimento este baseado no desenvolvimento da cooperação, na aceitação de elogios e críticas, respeito as figuras de autoridade, tolerância ao lidar com a desaprovação e frustrações,

bem como saber reconhecer-se responsável por suas atitudes perante a si e perante aos outros. Cabe ressaltar que, o que no início dos trabalhos para alguns residentes pode ser visto e tratado como algo mecânico e imposto pelo programa, no decorrer da recuperação e segundo a maneira que cada um se descobre e se identifica com as atividades, com empenho e amor, transforma-

se em instrumento, em alicerce para sua identidade, visto que potencializa o seu Eu capaz, o Eu eficaz, o Eu repleto de valores, o Eu sujeito, o Eu cidadão refletindo em um Nós comunidade, um Nós família, um Nós fraternidade.

* Psicóloga - Comunidades Terapêuticas

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