Neste tempo de reflexão, de pensar em torno da relação entre economia e vida, pode-se
perguntar: qual a relação que se estabelece com o trabalho? Trabalho como forma de
acumulação incansável de bens? Ou um trabalho que gere e que leve a viver melhor e a
buscar a felicidade? Partindo deste questionamento, propõe-se um olhar para o Livro do Eclesiastes capítulo 4, versículos 8 e 9. Um homem sozinho, que não tem ninguém,
nem filho, nem irmão. Apesar disso, não deixa de se afadigar, nem de se fartar com
riquezas. Para que ele se afadiga e se priva da felicidade? Isso também é fugaz e trabalho inútil. O Eclesiastes reflete em torno da felicidade, e coloca a relação com o trabalho como algo primordial em sua busca. Pois uma pessoa que está sozinha a trabalhar para se fartar com riquezas se priva desta busca da felicidade. No entanto, continua dizendo que mais vale estar a dois do que estar sozinho, porque dois tirarão maior proveito do seu trabalho. Incorpora aqui uma proposta de relação com o trabalho, onde a pessoa não está sozinha, mas em dois ou mais, pois assim tirarão maior proveito
do seu trabalho, não no sentido de acumular, mas sim de poder desfrutar do resultado
do trabalho como busca da felicidade. Essa relação do trabalho como busca da felicidade está fortemente relacionada com o trabalho solidário. Um trabalho que não visa somente as suas próprias necessidades, mas também as necessidades das pessoas que estão ao lado e mais necessitadas. A Campanha da Fraternidade leva a pensar neste
sentido, servir a Deus é servir aos irmãos mais necessitados. E o Eclesiastes convoca a
cada um se unir a outros que já realizam trabalho solidário, pessoas que trabalham para ajudar o próximo. Pois assim, não pensando no trabalho como acúmulo de riqueza, mas como forma de partilhar e ajudar, certamente será mais fácil buscar a felicidade. Esta recompensa talvez não seja material, mas sim, alegrar-se ao ver um sorriso no rosto de alguém que já não mais sorria.
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