5 de nov. de 2010

Edição Especial de Novembro

Após a impressão da Ediçao Especial, com uma tiragem de 20 mil exemplares,o jornal O Missioneiro lhe apresenta a Versão Virtual focada na Romaria Diocesa ao Caaró.

27 de out. de 2010

Os Santos Mártires e os Sete Povos: uma única história

Nelmo Roque Ten Kathen

As pessoas em geral, também os fiéis das romarias, tem certa dificuldade em localizar historicamente os fatos em torno do martírio dos santos: Roque Afonso e João. Da mesma forma não conseguem fazer uma ligação destes com a história que se deu nos espaços das atuais ruínas dos Sete Povos. O presente texto quer jogar uma luz sobre os acontecimentos e mostrar que se trata de uma única história, mas que se deu em dois momentos: primeiro os mártires e mais de 50 anos após, o início da construção do que atualmente são ruínas.

1. América e Europa: antecedentes daqui e de lá.
Fomos levados a pensar, conforme os manuais de história, que as coisas acontecem a partir da Europa. Parece não ser bem assim. Hoje sabemos que o nosso chão tem uma história milenar. As pesquisas das últimas décadas comprovaram que aqui há sinais de vida de milhares de anos. Temos vestígios de presença humana de 11 mil anos. E há dois mil anos os guarani, deslocando-se da Amazônia, chegaram ao rio Uruguai e entraram no atual território gaúcho. Em 1500, com a chegada dos primeiros europeus, os guarani ocupavam grande parte do território do Estado, junto com os charrua e minuano.
Já a Europa vivia a passagem do feudalismo para o mercantilismo. Após quase mil anos presa a seus limites, as navegações propiciaram a abertura de novas fronteiras comerciais e de conquistas geográficas significativas. Dois países tomaram a dianteira: Portugal e Espanha. Os reis católicos de ambos os tronos assumiram a missão de conquistar riquezas (ouro e prata) e ampliar os quadros da Igreja, pelo sistema do padroado (o Papa lhes entregara a missão de conquistar novos fiéis). Na época a Igreja católica estava perdendo muitos fiéis por causa da reforma Luterana. Com os descobrimentos de novas terras e pessoas, novos fiéis se tornaram possíveis.
Aqui, o encontro de duas culturas tão diferentes foi trágico para os nossos povos indígenas. A estrutura social, política, econômica e religiosa do indígena foi quebrada pela superioridade bélica dos europeus. Houve um processo de conquista e submetimento dos nossos povos ao sistema europeu-cristão. Houve, também, um ensaio de resistência e revolta que culminou com a morte de vários missionários.

2. Índios guarani e os espanhóis e portugueses
Os guarani, na época da chegado de Espanhóis e Portugueses, ocupavam, além do atual RS, parte da Argentina e Paraguai, o oeste do Paraná e sul do Mato Grosso do Sul. Eram um povo semi-nômade, de cultura tipicamente indígena. Lidavam com a agricultura, coleta de frutas e eram caçadores. Seu sistema organizativo era tribal, formando grupos de aproximadamente 500 pessoas. Na tribo a organização dava-se em torno do cacique e do pagé. Escolhido do meio de guerreiros valentes, o cacique tinha uma função política. Já o pagé era, por vocação, profeta, sacerdote, agrônomo, médico e professor. Controlava o saber da tribo. Os dois eram importantes, mas o pagé, por lidar com as divindades, os mistérios da vida, tinha um destaque. Quando os missionários chegaram, mantiveram os caciques e “acabaram” com os pagés, substituindo-os.
Colonizadores Espanhóis e Portugueses vieram com a finalidade de conquistar novos territórios para suas respectivas coroas, riquezas, especialmente ouro e prata e, pelo “convênio” do padroado, novas almas para a Igreja Católica.
Os portugueses, após 1500, ocuparam inicialmente a costa brasileira. Depois adentraram o território em busca de riquezas. Para tanto começaram a usar a mão de obra indígena pelo sistema de escravidão. Cedo descobriram que os guarani eram os mais trabalhadores. Os bandeirantes paulistas, aventureiros caçadores de índios, atacaram primeiro as reduções do Paraná e MS e, depois chegaram ao RS. Aqui o estrago foi grande, tanto que culminou com a retirada de índios e missionários, finalizando o primeiro ciclo das reduções.
Os espanhóis vieram descendo desde o Peru, ocuparam a área que lhes garantia o Tratado de Tordesilhas, chegando até o Paraguai. Tal presença mais se concretizou a partir de 1542 com a criação do vice-reinado do Peru. Eles implantaram o sistema espanhol de administração, junto com a encomienda (ou trabalho encomendado). Este concedia ao colono e seus herdeiros o direito de receber o serviço prestado pelo índio, seja em lavoura ou em construção. O índio não recebia remuneração, só assistência material e religiosa. Era o formato espanhol de escravização do índio, anterior às reduções.

3. Os mártires: o primeiro ciclo das reduções
Com a Reforma de Lutero a Igreja Católica perdeu muitos fiéis. A reação veio com o Concílio de Trento (1545-1563). As decisões do mesmo apontavam para uma nova era de evangelização e a conquista de novos fiéis. Aqui entram os jesuítas com o sistema das reduções. Elas foram criadas para “reduzir” índios em pequenas aldeias, povoados, para facilitar o trabalho dos missionários e a organização política e administrativa. Com os índios vagando livremente pelas florestas o trabalho evangelizador e um novo modo de produção seriam impossíveis, no pensar da época.
O grande trabalho começa com a fundação da província jesuítica do Paraguai, em 1607, pelo padre Diego de Torres Bollo. Rapidamente as reduções se espalham pelo Paraguai e pela bacia do Rio da Prata. E com uma novidade: por concessão da coroa espanhola, os índios reduzidos não estavam mais sob o regime da encomienda. O índio passa a trabalhar para a missão e vive no ritmo da vida proposto pelos missionários. Nas reduções não havia presença de colonos espanhóis, somente missionários. Da administração espanhola restou só o Cabildo (como uma sub-prefeitura), cuidando da política administrativa da redução. Ao mesmo tempo que uma proteção contra a exploração dos colonos, era, entretanto, a negação da organização política guarani. Tentava-se levar o índio a abandonar sua vida seminômade para uma vida em comunidade cristã sedentária. É a morte do modo de vida guarani.
Os Jesuítas começaram seu trabalho reducional no Guairá, oeste do Paraná e sul do Mato Grosso do Sul, em 1609. Logo foram criadas 14 reduções que duraram até 1628, quando são dizimadas pelos bandeirantes paulistas. Com a devastação, os jesuítas levaram os índios restantes ao Itatim, a 500 km de Assunção. Começaram igualmente as reduções na Argentina, entre o rio Paraná e Uruguai. Atravessando o Uruguai, edificaram também 18 reduções nas bacias dos rios Ijuí, Ibicuí e Jacuí, a partir de 1620.
É aqui que entra o Pe. Roque Gonzáles, um criollo, filho de espanhol com índio. Converteu sua vida de encomendero para missionário jesuíta. De explorador de índios passou a ser seu defensor, mas sempre fervoroso catequisador, a modo de Trento e da teologia da época. Em pouco tempo tornou-se um dos maiores construtores de reduções, desde o nordeste da Argentina, na região de Misiones, às margens do Uruguai e atravessando-o em 1626, no passo do padre, hoje São Nicolau. Por este viés, na época pertencíamos ao Paraguai, ponto mais avançado da coroa Espanhola.
Todo contato com os índios implicava em riscos e conflitos. Não foi diferente o ambiente aqui entre nós. Quando foram implantadas as primeiras reduções, logo houve resistências e revoltas. O próprio Pe. Roque o diz em uma de suas cartas: “Disseram-me que voltasse imediatamente, porque os índios da terra estavam sublevados e que haviam vindo logo depois de minha partida daquela redução que principiei, a fim de me matarem, e que, não me achando ali, haviam queimado a igreja e a cruz que eu deixara”. Ele se referia a uma das reduções da região do Tape. Seu trabalho, como sabemos, continuou até 1628, quando foi martirizado, junto com o Pe. Afonso de Rodrigues, na redução de Todos os Santos do Caaró, hoje local do Santuário a eles dedicado. Igualmente o Pe. João de Castilhos foi morto pelos mesmos índios na redução de Assunção do Ijuí, hoje município de Roque Gonzales.
Após o martírio dos três, Roque, Afonso e João, as reduções ainda sobreviveram até por volta de 1641, quando a maioria havia sido devastada pelos bandeirantes paulistas, caçadores de escravos. Mesmo com a derrota dos bandeirantes na batalha de M’bororé, em 1641, os índios remanescentes todos foram transferidos para a outra margem do rio Uruguai, atual Argentina.

4. Os Sete Povos: o segundo ciclo das reduções
Após mais de 50 anos, agora já sem o perigo dos bandeirantes, houve a retomada do projeto reducional na banda oriental do Uruguai. Para os jesuítas era a continuidade do trabalho evangelizador e para a coroa espanhola significava a ocupação de um espaço geográfico de demarcação de fronteiras, já que em 1680 os portugueses invadiram o território espanhol, edificando a Colônia do Sacramento, atual Uruguai. Mesmo com limites vindos do sistema reducional, adaptada ao mesmo, a cultura guarani verdadeiramente floresceu, produzindo impressionante acervo artístico, cultural e religioso.
A construção dos Sete Povos iniciou com a redução de São Francisco de Borja, em 1682 e concluiu-se em 1706 com Santo Ângelo.
SÃO BORJA
Com sua localização na banda oriental do rio Uruguai, teve como fundador, em 1682, o padre Francisco Garcia, que reuniu índios do lado da Argentina e deste lado. Em 1694 já contava com 2.888 habitantes. Ao Pe. Garcia sucede o Pe. Tomas Bruno, irlandês de nascimento. Além de evangelizador era mestre em estatuária, arte que ensinou aos indígenas. Com a expulsão dos jesuítas, depois de 1759, a catequese dos índios começou a declinar apesar da presença de dois missionários franciscanos. Depois disto São Borja foi palco de muitos combates, especialmente em 1816, contra os uruguaios, quando Andrezito Artigas sitiou a cidade.

SÃO NICOLAU
A “primeira querência do Rio Grande” foi inicialmente fundada pelo Pe. Roque Gonzáles, em 1626. Três mil índios voltaram a para São Nicolau, em 1687. Após os primeiros trabalhos de reconstrução, um grande furacão assolou a redução destruindo a capela e a casa dos padres, matando 24 pessoas. A chuva de granizo dizimou grande quantidade de gado. Em 1707 a cidade chegou a um grande florescimento e atingiu uma população de 5.389 habitantes.

SÃO LUIZ GONZAGA
Como redução foi fundada no mesmo ano da refundação de São Nicolau, em 1687. O Pe. Miguel Fernandes foi quem esteve primeiro na cidade, sendo também depois cura de São Lourenço. Foi construída uma bela igreja, a respeito da qual o historiador Hemetério Veloso escreveu, em 1855: “Com pouco trabalho, com pouco dispêndio, essa igreja teria sido salva do desmoronamento que, passados dois anos, se realizou”. Mas São Luiz tivera antes, em torno de 1820, situações difíceis, especialmente pelo acelerado despovoamento provocado por um surto de varíola que dizimou muitos índios que chegaram a ser 3.997. Em 1826 Frutuoso Rivera também assolou São Luiz, roubando e destruindo.

SÃO LOURENÇO
Esta redução nasceu em 1690, no lugar de Caaró, local do martírio dos padres Roque Gonzáles e Afonso Rodrigues distante poucos quilômetros ao sul, na ponta do arroio Uruquazinho. Chegou a ter 4.912 habitantes, em 1707. Quem presidiu os trabalhos foi o Pe. Bernardo de la Vega. Conta o historiador Hemetério Veloso que ainda viu, em 1856, o colégio deste povo com suas celas como depósito das imagens do padroeiro e outros santos.

SÃO MIGUEL
Tendo como local as atuais ruínas, foi uma retransmigração de povos indígenas, que deu-se em 1687. De todos foi o mais populoso dos Sete Povos, com cerca de 7.000 habitantes, possuindo o templo mais majestoso e confortáveis habitações, com ruas bem traçadas. A igreja da redução foi construída entre os anos de 1736 e 1745. Quem dirigiu os trabalhos de construção foi o irmão jesuíta João Batista Primolli, natural de Milão, Itália. Oitenta a cem índios trabalharam durante nove anos na sua construção. As pedras da construção foram trazidas das barrancas do rio Santa Bárbara. No governo de Borges de Medeiros foi feito um trabalho de restauração e atualmente o IPHAN zela por seu patrimônio artístico e cultural.

SÃO JOÃO BATISTA
Este povo originou-se de um desmembramento de São Miguel, em setembro de 1697. Foi o Pe. Antônio Sepp, austríaco de nascimento, que encabeçou e dirigiu os trabalhos de sua construção. Como missionário aproveitou seus conhecimentos de música na catequese dos indígenas. Formou um coral com os índios, sendo que eles mesmos chegaram a fabricar seus instrumentos musicais. Também nesta redução funcionou a primeira siderúrgica do país, onde, possivelmente, foram fundidos os sinos de São Miguel. Em 1707 contava com uma população de 3.361 habitantes.

SANTO ÂNGELO
Foi o último dos Sete Povos a ser fundado, em 1706, tendo à sua frente o Pe. Diogo Haze, um belga que veio da redução de Concepcion, com 737 famílias. Prosperou economicamente tornando-se, em pouco tempo, pela industrialização da erva-mate, a mais rica das cidades. Em 1767, época da expulsão dos jesuítas, produzia, por ano, 5.000 arrobas de erva e 4.000 arrobas de algodão, para exportação.
Cinquenta anos durou o florescimento dos Sete Povos. Em 1750, com o Tratado de Madri, entre as coroas espanhola e portuguesa, iniciou sua agonia. Com a troca da Colônia do Sacramento pelas Missões, para nenhum dos dois países interessavam as cidades de guaranis. Os guarani não aceitaram a desocupação e foram massacrados pelos exércitos aliados. Nos combates travados cresceu o “herói Guarani, Missioneiro e Rio Grandense”, Sepé Tiaraju. Para muitos é hoje São Sepé.
Visualizar Missioneiro de Outubro

24 de jul. de 2010

COMUNICADORES EM APARECIDA

Debate sobre os meios impressos esquenta Encontro Nacional de Comunicação
POR KARLA MARIA


Profissionais de comunicação discutem em Seminário, formas de aprimorar e articular os meios impressos católicos, deixando-os mais interessantes e atrativos a seus leitores. A atividade faz parte da programação do 2° Encontro Nacional de Comunicação, que está sendo realizada, em Aparecida (SP), até o próximo sábado, dia 24. O “Seminário de Impressos” reuniu cerca de 90 pessoas, entre jornalistas, websigners, diagramadores, publicitários, relações públicas e agentes da Pascom, na Casa de Hospedagem São Canísio, na cidade de Aparecida.

Os debates foram suscitados por Ana Cristina Suzina, jornalista e mestranda de Comunicação Social; Renata Lima, jornalista da arquidiocese de Belo Horizonte, Rui de Souza, da equipe de redação do Jornal Mundo Jovem e padre Geraldo Martins, jornalista e assessor de imprensa da CNBB. O debate foi mediado por Adair Adams, doutorando de Comunicação e Educação pela PUC-RS, editor do Jornal Missionero, em Santa Rosa (RS) e padre Edegar Soares de Matos, mestre em psicologia, assessor de comunicação da Diocese de Santo Ângelo (RS).

Renata Lima abriu o debate sobre o jornal impresso e a necessidade das publicações paroquiais ou diocesanas terem planejamento, estratégia de distribuição, conhecimento de público alvo e objetivos claros de atuação. Apresentou também dados, que comprovam a relevância do jornal no cotidiano das pessoas, mesmo com a convergência das mídias, utilizando dados do Instituto Verificador de Circulação de jornais, Renata observou que em 2008 houve um aumento de 5% no número de leitores, comparado a 2007, e ainda que a circulação média diária de jornais brasileiros chega a 8,5 milhões de exemplares.

Quanto ao conteúdo dos meios impressos, Rui de Souza, reforçou a importância da qualidade dos conteúdos, que devem servir como informação e formação para os leitores. Para Rui, os meios impressos são como documentos, que registram a história da sociedade, afirmou tendo como exemplo o Jornal Mundo Jovem, do qual faz parte, o jornal atinge quatro mil municípios em todo o Brasil com uma tiragem de 100 mil exemplares. O mediador, padre Edegar orientou que toda publicação procure se organizar administrativamente, criando um CNPJ e registro de sua marca.

A Comunicação popular também foi tema de debate durante o Seminário de impresso; a paranaense, Ana Cristina, jornalista e mestranda em Comunicação Social, falou sobre a produção de folders, cartazes e jornais murais, ressaltando o cuidado com a forma e a linguagem dos meios, o cuidado com a periodicidade e sua distribuição. Do popular ao institucional, padre Geraldo Martins, assessor de imprensa da CNBB, denifiu a assessoria de comunicação como a responsável pela aplicação da política de comunicação de uma instituição, sendo a assessoria de imprensa, uma das partes dessa política, sendo a ponte entre os meios de comunicação e a instituição assessorada. Padre Geraldo apresentou os serviços de imprensa, como mailing de jornalistas, clipping de notícias, arquivo de material jornalístico e envio de releases.

O amadorismo, em alguns meios de comunicação católicos, foi tema de debate levantado pelos presentes, apontou-se falta de valorização dos profissionais católicos e a relação destes com a Pascom. O assessor da CNBB, padre Geraldo Martins, afirmou que os profissionais devem ser respeitados, conforme a lei trabalhista e os valores cristãos, que a Igreja prega.

Os profissionais elogiaram a abertura da CNBB em participarem do Seminário, apresentando suas estruturas de comunicação, sugeriram a criação de um manual de Imprensa, e o aprofundamento da discussão em torno da valorização do profisional de comunicação.

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22 de jul. de 2010

EQUIPE DO JORNAL MISSIONEIRO PARTICIPA DO ENCONTRO NACIONAL DA PASCOM

Entre os dias 21 e 24 de julho acontece em Aparecida – São Paulo, no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, o Encontro Nacional da pastoral da Comunicação. Coordenadores dos Regionais da CNBB e comunicadores da Igreja de todos os setores, jornal, rádio, site, TV, ... de todo o país se encontram para estudar e compartilhar experiências de comunicação na atualidade e como a Igreja se encontra no todo da sociedade.
No segundo dia de encontro, a parte da manhã foi dedicada a conferências sobre as novas tecnologias e os desafios da Igreja Católica, TV e Rádio como meios de evangelização. Na parte da tarde, atores globais fazem testemunhos e palestram sobre a relação entre a vivência do produzir e fazer mídia e a prática religiosa e fé.
O objetivo do Encontro é “articular, animar e motivar a PASCOM da Igreja do Brasil, tendo presente a cultura gerada pelas novas tecnologias que constituem o novo areópago para o anúncio do Reino de Deus a todos os povos”.
Na sexta-feira Pe. Edegar de Matos será mediador de um seminário sobre Jornal. E, no sábado, será apresentado a experiência do Jornal Missioneiro.

13 de jul. de 2010

NÃO à Corrupção

Em mais um ano de eleições, que vão

decidir o futuro do nosso país por

mais 04 anos, precisamos pensar nesse

futuro para que possamos tomar a

decisão correta. Conhecer quem são

os candidatos requer que o nosso futuro

volva o olhar para o passado de

quem vai estar à frente do país para

governá-lo.

O Jornal Missioneiro abre uma coluna,

nesse mês até as eleições, por eleições

limpas. Segue divulgando todo

um trabalho feito pela Igreja Católica

da campanha da FICHA LIMPA. Votar

bem é votar em nós mesmos. Para

isso, a primeira coisa a não se fazer é

vender o voto.

Ter um país mais justo depende, primeiramente,

de nossas escolhas. Com

a Campanha Ficha Limpa, algumas

mudanças já começam a acontecer,

para que não se faça qualquer coisa

da política.

A decisão do Tribunal Superior

Eleitoral (TSE) de validar a Lei da

Ficha Limpa para candidatos condenados

antes de sua sanção embaralhou

de vez a montagem dos palanques em

Estados importantes como Rio, Distrito

Federal e Maranhão, entre outros.

Se candidatos e dirigentes dos maiores

partidos já quebravam a cabeça

para amarrar costuras eleitorais regionais,

a interpretação dada pelo TSE à

Lei da Ficha Limpa pode tirar do

páreo fortes concorrentes e obrigou

as direções partidárias a revisarem suas

alianças e estratégias.

Cabe a todos fazer sua parte e entrar

nessa corrente que diz

NÃO À CORRUPÇÃO.

Política é sinônimo de CIDADANIA

Cada vez que se reúnem pessoas para discutir problemas relacionados com a coletividade, estão fazendo política sadia e cidadã. Afinal, o indivíduo tem direitos e deveres que devem ser trabalhados para o bem-estar da sociedade. O exercício da cidadania está diretamente ligado a participação dos cidadãos nas decisões políticas, as quais devem estar relacionadas com as expectativas da comunidade. A liberdade de participação e o nível de senso crítico vão estabelecer o grau de evolução do conhecimento e consequentemente o nível de vida. Cidadania é a relação entre o indivíduo e a sociedade, e essa está relacionada com a qualidade de vida, a qual é direito de todos. No Brasil ainda estamos longe de alcançar a plena realização da Cidadania, pois nem todos os cidadãos têm a liberdade de escolher a sua re religião,

as pessoas idosas têm dificuldade de como usar o transporte público, nem todas tem

acesso à moradia e há muitas pessoas que não têm liberdade de escolher o que acham melhor para a sua vida. O desemprego, a miséria, o analfabetismo, as diversas formas de violência, a discriminação o racismo, as profundas diferenças de riquezas são alguns dos fatores que fazem transparecer nitidamente a falta de igualdade e justiça, mesmo que já tenhamos evoluído nesses 15 anos. Questionar esse modelo econômico excludente é exercer uma cidadania. Votar certo e em candidatos que realmente têm propostas concretas que vão ajudar a desenvolver toda

a sociedade, é o melhor caminho. Votar em candidatos que prometem ou distribuem “ranchos”, materiais de construção, combustível e eletrodomésticos, é ser cúmplice da corrupção. É com ações concretas e com consciência que vamos conseguir modificar esse quadro. Por isso, a cidadania será uma constante aprendizagem que passa pelas lutas em favor de causas justas e nobres que poderão modificar o

quadro atual da política brasileira. Portanto, é de fundamental importância que a população participe das instituições e também das decisões, pois só assim será possível evitar que os outros resolvam por suas vontades, o que deveria ser melhor para todos. Quanto mais participarmos e questionarmos, melhor será para toda

a sociedade.

Eleições que se aproximam... Candidatos que se “apresentam”!


Estamos em clima de Copa do Mundo. Um dos maiores eventos esportivos do planeta. Praticamente “nada” mais acontece no mundo e no Brasil a não ser os jogos das seleções. No entanto, enquanto a mídia destaca somente o dia a dia dos “nossos craques” (Willian Bonner e Fátima Bernardes da Rede Globo falando: “agora nossos craques estão descansando”, “estão neste momento no lanche”, “logo mais vão para

preleção”), acontecem movimentações estratégicas dos nossos futuros representantes, a partir de janeiro de 2011. O assunto aqui proposto são as eleições que se aproximam neste ano eleitoral. Percebemos em diferentes ambientes a movimentação de candidatos que se colocam “à disposição” do eleitorado neste período que antecede ainda as campanhas eleitorais. Já reparamos de como candidatos de outras regiões “entram”

em espaços e lugares antes não visitados? Estamos conscientes de que precisamos candidatos que realmente representam nossa região nas diferentes instâncias representativas (Assembléia Legislativa, Câmara Federal, Senado e outros)? Precisamos estar muito atentos a todos esses movimentos que acontecem neste período. Antes, as estratégias usadas, se baseavam na inauguração ou início de obras na véspera das eleições.

Agora a Justiça Eleitoral não mais permite tais atos, pois os denomina como compra ou manipulação de votos. Estejamos atentos a todos os movimentos que os candidatos fazem. Necessitamos sempre lembrar e nos perguntar: quem são? De onde são? E principalmente, a que interesses ou que grupos defendem na sociedade? Sabemos que de boas falas e promessas o mundo está cheio! Evidenciamos candidatos despreparados, que pouco ou nada fizeram ao longo de sua vida para ajudar ao nosso povo. Porém, pelo fato de serem conhecidos pela mídia manipuladora, estes se colocam a “disposição” de um eleitorado muitas vezes carente de informações, que tem dúvidas a quem escolher no dia de decidir o voto. Lembramos que os candidatos eleitos estarão 04 anos decidindo os rumos do nosso querido país. Neste momento, precisamos ficar atentos aos candidatos de nossa região. Precisamos pensar na nossa cidade, na região do Alto Uruguai e das Missões. Conhecer e analisar os candidatos de nossas cidades e, dentre eles, escolher aqueles que melhor representam nossas solicitações e reivindicações. Muitos deles têm um passado político significativo nos municípios, no Estado e no Brasil de um modo geral. É importante, por isso, considerar o passado destes políticos; perceber as contribuições que deram à nossa cidade e região.

Queremos afirmar, com isso, a necessidade de conhecer os nossos candidatos, aqueles que estão próximos de nós, das necessidades de nossa cidade e região. Precisamos ficar atentos aos candidatos de nossa região. Precisamos pensar na nossa cidade, na região do Alto Uruguai e das Missões. Conhecer e analisar os candidatos de nossas cidades e, dentre eles, escolher aqueles que melhor representam nossas solicitações e reivindicações.

Milton César Gerhardt*

O Livro de Jonas


Queremos continuar a reflexão em torno da bela parábola que é o livro de

Jonas, lendo hoje o Cap. 2, o mais famoso por causa da história do peixe.

Este grande peixe já deu muito que falar. Que espécie era? Que tamanho

possuía? É parecido como a vovozinha na barriga do lobo mau na estória do

Chapeuzinho Vermelho. Qual é o sentido desta simbologia? A barriga do

peixe representa o pior lugar que um crente podia supor para fazer uma oração:

lugar impuro, cercado de perigos (mar), no fundo do poço, nas “raízes

das montanhas”(2,7), trancado com ferrolhos, sem saída. É muito interessante o que Jonas faz dentro da barriga do peixe. Parece que há uma entrega total através da oração de um salmo que manifesta sua angústia e vontade de se converter ao

projeto de Javé. É como os propósitos que surgem no final de um retiro. O fato de permanecer três dias significa a presença de Deus, pois na cultura bíblica o número Três representa Deus. O autor quer dizer com isso que Deus está presente na história. No lindo salmo que reza Jonas confessa que, mesmo não querendo reconhecer, Javé é um Deus de inclusão, que não nos abandona em nossos momentos de dificuldades apesar de nossas teimosias. Por sua prece, Jonas passa da situação de morte para a vida, pois o peixe o devolve para a terra firme. Sua experiência é o espelho de muitas situações vividas por nós ou por nossas comunidades. Afinal quem já não se sentiu como que dentro de um peixe, apertado no fundo do mar, ou fundo do poço? E quem não provou através

de uma oração sincera, ser devolvido à vida para dar continuidade a sua missão?

Até mais!

Pe. Décio J. Walker

A surpresa de Deus

“Certo credor tinha dois devedores. Um lhe devia quinhentas moedas de prata, e o

outro cinquenta. Como não tivessem com o que pagar, o homem perdoou a ambos. Qual deles o amará mais?” Esta brevíssima parábola com a pergunta final de Jesus na casa do fariseu Simão (ver Lc 7,36-50) é uma chave preciosa para nos introduzir num dos temas mais apaixonantes da Bíblia: a teologia da graça. A cena acontece por ocasião de uma refeição na casa do fariseu. Há um fato incomum, uma mulher, conhecida como pecadora, sem ser convidada, está presente e com gestos inesperados de ternura e humildade exprime o seu arrependimento e sua gratidão a Deus, lavando enxugando-

beijando-ungindo os pés de Jesus. São gestos que manifestam acolhida e caridade para com o hóspede; essa mulher, pecadora, os faz; Simão, considerado justo, nem se preocupou em fazê-los. Para Simão, apegado às regras de pureza dos fariseus, entrar em contato com uma mulher dessas, e logo durante a refeição, é contrair uma impureza legal tão grande que só um sacrifício muito grande pode limpar. Simão fica espantado por Jesus não ter repudiado a mulher, permitindo que ela o tocasse. Pensou consigo: só pode que Jesus não é profeta! Conforme a compreensão dos fariseus, o repúdio à mulher seria para eles a prova de que Jesus realmente era profeta. A surpresa veio quando Jesus declarou à mulher que seus pecados estavam perdoados, sem exigir nada que representasse uma “paga”. Os fariseus acreditavam que aquela mulher, por ser pecadora, deveria de alguma forma ser punida, pagar por isso, e jamais poderia ser objeto de uma graça ou favor de Deus enquanto permanecesse no pecado. Parece até que eles não acreditavam mais na possibilidade da conversão da mulher, pois não entenderam o choro e as lágrimas dela como sinais de seu arrependimento, o que abriria a porta para o perdão de Deus. Por ser pecadora, a mulher nunca poderia receber uma graça ou favor de Deus. Ele a declarou perdoada, gratuitamente purificada. Para os fariseus isso era inadmissível. Não foram os gestos da mulher que provocaram

a declaração do perdão, mas o contrário: a certeza do perdão de Deus provocou na mulher essas atitudes. “Tua fé te salvou. Vai em paz”. Cabe perguntar: é por essa compreensão do amor de Deus que orientamos a vida cristã em nossas famílias e comunidades!? Cremos na surpresa do amor misericordioso de Deus!?

Nas famílias, nem tudo é desvio e pecado

Introdução

Ao introduzir o presente texto, queremos apresentar uma série de perguntas: a família está em crise ou vivemos a crise de um modelo familiar? Será que o cristianismo deve insistir em apenas um modelo familiar? Não é possível viver e testemunhar os valores cristãos em diversas formas de entidades familiares? As mudanças que estamos vivendo são apenas negativas ou consegue-se perceber nelas

elementos positivos? A mudança familiar não representa um dos grandes Sinais dos

Tempos a ser observado e compreendido nos dias atuais e a partir dessa mudança compreender o anseio social de pluralidade de formas familiares? No que segue, primeiro são apresentados alguns elementos para a interpretação bíblica. A primeira parte de nossa reflexão insiste sobre o lugar dos Sinais dos Tempos e da ComunidadeEclesial na interpretação da Bíblia. Colocadas estas questões introdutórias, o texto procura um discernimento teológico sobre os Sinais dos Tempos: “Novas Famílias”. Trata-se de um olhar para a Sagrada Escritura, considerando situações ligadas à questão do divórcio e da família de Nazaré.

1. A importância dos Sinais dos Tempos

O Concílio Vaticano II (1962-1965) imprimiu mudanças e transformações muito grandes na Igreja. Uma destas mudanças diz respeito aosSinais dos Tempos. O Vaticano II pediu para que a Igreja ficasse atenta aos Sinais dos Tempos.

O que são Sinais dos Tempos? Trata-se de uma exigência à Igreja e à Teologia de manter umdiálogo permanente com a sociedade, entender situações de vida de pessoas, dialogar com distintas culturas e compreender que a vida humana,

diferente da natureza, é histórica, cultural e contextual, por isso, sempre inventada. Os Sinais dos Tempos exigem uma atitude constante de releitura, em contexto, da Bíblia, das tradições, dos dogmas e das práticas eclesiais. A Bíblia é a fonte originária que exige novas interpretações a partir dos novos Sinais dos Tempos. As fontes mais originárias (as Escrituras) necessitam de novas interpretações, em vista dos novos contextos e desafios pastorais. Neste sentido, novas famílias é um

dos Sinais dos Tempos que necessi- ta ser visualizado e ouvido. Novas famílias não pode ser ignorado no sentido de fazer de conta que não existam. Novas famílias é um dos Sinais dos Tempos de uma mudança de época e nãoapenas de uma mudança dentro de uma época.

2. A Comunidade Eclesial como intérprete

O intérprete bíblico não é simplesmente o intelectual teólogo, mas a comunidade de fé, mesmo que, muitas vezes, seja refém de preconceitos. Para além de toda definição especialista e regrada de leitura bíblica, precisa ser garantido o espaço das comunidades de fé, numa postura de Espírito criador. A comunidade eclesial tem todo o direito de também interpretar o Evangelho ao seu tempo e momento

histórico. A comunidade de fé tem uma “competência bíblica” quase espontânea, sustentada pelo “espírito de Cristo” em meio às novas situações históricas. A Teologia se articula a partir da experiência de fé dos cristãos, engajados em comunidades eclesiais inseridas no seio da sociedade. Consequentemente, não há autêntica Teologia fora do tecido eclesial e social. Em última instância, a Teologia, embora deva guardar toda sua objetividade e criticidade, ela está a serviço da evangelização, da missão da Igreja, da vivência da fé na vida pessoal e social,

da encarnação do Evangelho nas culturas, no coração das pessoas e nas estruturas. Nem sempre, no entanto, este serviço da Teologia à comunidade de fé tem sido respeitado. A reflexão que segue quer justamente ir ao encontro dos anseios e angústias da comunidade eclesial sobre as novas famílias, considerando-as como grandes Sinais dos Tempos. Uma reflexão, neste sentido, exige uma desconstrução de compreensões internalizadas historicamente como sendo a interpretação definitiva de diversas passagens bíblicas, excluindo outros elementos cheios de esperança e possibilidades. É claro que uma nova interpretação de textos bíblicos vem carregada de novidade e surpresa, possibilitada pelos Sinais dos Tempos.

3. Um olhar sobre as famílias à luz da Bíblia

3.1 Sobre o divórcio: Mt 19,3-9

Analise o quadro sobre casamentos registrados, separações judiciais e divórcios

concedidos em algumas das cidades de nossa região no ano de 2008. Estes são dados do IBGE, disponíveis em: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1 Diante dos crescentes números de divórcios e separações judiciais, como nos apontam dados do IBGE 2008, o texto bíblico que apresenta Jesus condenando o divórcio necessita ser analisado de modo contextual. Em outras palavras, no atual contexto do divórcio é importante perguntar o significado contextual da questão

do divórcio no tempo de Jesus. Cabe a pergunta se Jesus estava defendendo a perenidade do vínculo matrimonial ou se defendia, de forma mais humana, as mulheres sob a arbitrariedade de um privilégio injustamente masculino, deixando a mulher à mercê de muitos riscos. É necessário muito cuidado para afirmar com segurança o que Jesus gostaria para nós hoje. Vejamos o texto bíblico: Alguns fariseus aproximaram-se de Jesus e, para experimentá-lo, perguntaram: “É

permitido ao homem despedir sua mulher por qualquer motivo?” Ele respondeu:

“Nunca lestes que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher e disse: ‘Por

isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois formarão

uma só carne’? De modo que eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe”. Perguntaram: “Como então Moisés mandou dar

atestado de divórcio e despedir a mulher?” Jesus respondeu: “Moisés permitiu despedir a mulher, por causa da dureza do vosso coração. Mas não foi assim desde o princípio. Ora, eu vos digo: quem despede sua mulher – fora o caso de união ilícita – e se casa com outra, comete adultério” (Mt 19,3-9).É bem conhecida a situação

de inferioridade das mulheres na sociedade do tempo de Jesus. Juntamente com as crianças, eram consideradas como propriedade dos maridos ou dos pais. Isto fica em evidência nas perguntas dos fariseus: “é permitido ao homem despedir sua mulher por qualquer motivo?” e “como então Moisés mandou dar atestado de

divórcio e despedir a mulher?”. A resposta de Jesus precisa ser compreendida

neste contexto, considerando a situação das mulheres e a desmedida pergunta dos fariseus. É importante também observar que os fariseus buscam argumentação no Antigo Testamento, onde diz: “se um homem toma uma mulher e se casa com ela, e esta depois não lhe agrada porque descobriu nela algo inconveniente, ele lhe escreverá um atestado de divórcio e assim despedirá a mulher” (Dt 24,1). A Lei do divórcio, como era interpretada por alguns rabinos, tornava as mulheres vítimas dos homens. Os fariseus perguntaram a Jesus que motivos um homem poderia ter para repudiar sua mulher porque os homens tinham o direito absoluto sobre as mulheres.

Jesus, que sempre se posicionou em defesa dos injustiçados, defende a mulher por meio da sacralidade do matrimônio. Sua resposta representa acima de tudo uma tomada de posição em defesa das mulheres. Jesus também vai buscar argumentos no Antigo Testamento, mas para defender a igualdade de direitos entre homens e mulheres. A igualdade entre todas as pessoas provém da criação, quando Deus criou o ser humano, homem e mulher (Gn 1,27; 5,1-2). O projeto de Deus é que o homem e a mulher, ao se casarem, formem uma só carne (Gn 2,24). Quando isto ocorre, esta união é indissolúvel por ser obra de Deus, não podendo ser desfeita por nenhum motivo. Nesta perspectiva, a indissolubilidade do matrimônio acontece quando Deus os une, co-existindo amor e afetividade, ou seja, quando homem e mulher formam uma só carne.

3.2 A justiça de José e a vontade divina: Mt 1,18-25

Queremos olhar agora para a família de Nazaré. Não podemos ceder à piedosa tentação de imaginar uma família idealizada e espiritualizada, alheia à realidade histórica e cultural. Do ponto de vista sociológico, a família de Nazaré é uma família judia absolutamente normal: viveu os valores humanos e religiosos de uma família crente; frequentou a sinagoga; meditando a palavra dos profetas; peregrinou

ao templo. Mas o mais interessante de tudo se encontra já na constituição dessa família, isto é, quando Maria encontra-se grávida por obra do Espírito Santo. Ainda não c asada, apenas prometida em casamento, Maria se encontra grávida. Vejamos o texto: Ora, a origem de Jesus Cristo foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José e, antes de passarem a conviver, ela encontrou-se grávida pela ação do Espírito Santo. José, seu esposo, sendo justo e não querendo denunciá-la publicamente, pensou em despedi-la secretamente. Mas, no que lhe veio esse

pensamento, apareceu-lhe em sonho um anjo do Senhor, que lhe disse: “José, Filho de Davi, não tenhas receio de receber Maria, tua esposa; o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”. Tudo isso aconteceu para se cumprir

o que o Senhor tinha dito pelo profeta: “Eis que a virgem ficará grávida e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus conosco”. Quando acordou, José fez conforme o anjo do Senhor tinha mando e acolheu sua esposa. E não teve relações com ela até o dia em que deu à luz o filho, ao qual

ele pôs o nome de Jesus (Mt 1,18-25).O que há de “anormal” na família de Nazaré? A anormalidade da família de Nazaré é a gravidez de Maria que acontece, por vontade divina, antes de ela estar casada com José. O próprio Deus burlou as leis de pureza para que o Messias pudesse nascer no meio de nós! Se José tivesse agido conforme as exigências das leis da época, deveria ter denunciado Maria e ela seria jogada no abandono e na humilhação. Ela teria sido explorada em todos os sentidos pelo resto da vida (Mt 23,14). Mas José, por ser justo, não obedeceu às exigências das leis de pureza (Mt 1,19). A justiça de José era maior e o levou a defender a vida tanto de Maria como de Jesus. José, com a ajuda do anjo, vai burlar a justiça machista da época, para instaurar um novo modelo de justiça. José, portanto, ouvindo a mensagem do anjo, consegue descobrir a ação de Deus onde, conforme a opinião da época, só parecia haver desvio e pecado. Anjo é o mesmo que mensageiro. Ele ajuda a perceber a ação de Deus na nossa vida. Hoje, há muitos anjos e anjas que nos orientam na vida. Às vezes, eles atuam nos sonhos, outras vezes nas reuniões, nas conversas, nos fatos, etc. Mateus manda, assim, um aviso para as comunidades: estão vendo no que daria a observância rigorosa que certos fariseus exigem de vocês? Daria na morte do Messias! Mais tarde, Jesus irá dizer: “se a justiça de vocês não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino do Céu” (Mt 5,20). Pensando a partir do contexto da época de Jesus, vemos que é dominado por um intenso patriarcalismo. Tendo presente o que dissemos até agora, queremos seriamente nos perguntar se não se é mais profundamente fiel ao Evangelho na medida em que pensamos a gravidez de Maria “fora do casamento” a partir da grandiosa percepção, por parte de José, da presença de Deus onde somente parece comportar desvio e pecado? Não seria, desde a concepção, Jesus, o nazareno, sinal de contradição e fruto da mais completa

marginalização da mulher, mas acolhido pela justiça de José? Acho que esta é uma maneira mais sadia e serena de se pensar e, por isso, mais significativa num contexto de exploração da mulher por parte do homem. José foi capaz de acolher uma mulher que, pela Lei da época, deveria ser denunciada e, provavelmente, apedrejada. Aliás,

esta foi a primeira intenção de Judá quando soube que Tamar, sua nora, estava grávida: “tragam- na para fora e seja queimada viva” (Gn 38,1-30). Judá somente mudou de ideia quando soube que ele próprio era o pai da criança que sua nora estava esperando. José, por isso mesmo, é símbolo primeiro e mais radical do homem justo, que não se outorga o direito de discriminar, mas que percebe

a presença de Deus em situações complicadas, que a primeira vista parecem comportar somente pecado e desvio humano. Esta ação de Deus “por linhas tortas” pode ser percebida em toda a Sagrada Escritura. Basta que abramos os olhos para acolher, de fato, o mistério de Deus na humanidade, muitas vezes discriminada

e marginalizada.

Conclusão

Ao ler este texto, você leitor(a) deve ter sentido sentido em alguns momentos e por várias razões certo desconforto. Este sentimento, sem dúvida, é totalmente normal, uma vez que foram abordados dois textos bíblicos por um viés que comumente não é trabalhado. Quando abordados dessa maneira, acabamos visualizando novas perspectivas e possibilidades de compreensão destes textos. Também a nossa realidade social e religiosa passa a ser compreendida de forma distinta. Se antes mantínhamos por meio destes dois textos bíblicos muitos preconceitos em relação a variadas situações familiares e relacionais, agora, à luz dos mesmos textos, conseguimos ver com outros olhos estas mesmas realidades. Procuramos, primeiro, apresentar dois pressupostos que acompanharam o todo da reflexão bíblica:

1. O lugar dos Sinais dos Tempos na interpretação bíblica. As fontes mais originárias (as Escrituras) necessitam de novas interpretações, em vista dos novos contextos e desafios pastorais, aqui chamados de Sinais dos Tempos. 2. A comunidade eclesial, sustentada pelo “espírito de Cristo” em meio às novas situações históricas, tem todo o direito de interpretar o Evangelho ao seu tempo e momento histórico. A comunidade de fé tem uma “competência bíblica” quase espontânea, sustentada pelo “espírito de Cristo” em meio às novas situações

históricas. Depois, ao olharmos para dois textos bíblicos relativamente conhecidos, procuramos: 1. Apresentar um modo alternativo de compreender a afirmação de Jesus “o que Deus uniu, o homem não separe”, enquanto resposta à pergunta desmedida dos fariseus: “é permitido ao homem despedir sua mulher por qualquer motivo?”. 2. Mostrar que já na concepção do menino Jesus a Família de Nazaré se apresentou com dificuldades, pois Maria se encontrava grávida pela força do Espírito Santo, sem que estivesse casada com o seu noivo José. Que estes textos nos ajudem no discernimento pastoral, social e relacional!

Pe. Fábio Junges

GERAL E REABILITAÇÃO

Pai Nosso

Se em minha vida não ajo como filho de Deus,

fechando meu coração ao amor:

Será inútil dizer: PAI NOSSO

Se os meus valores são representados pelos bens da terra:

Será inútil dizer: QUE ESTAIS NO CÉU.

Se penso apenas em ser cristão por medo,

superstição e comodismo:

Será inútil dizer: SANTIFICADO

SEJA O VOSSO NOME.

Se achar tão sedutora a vida aqui,

cheia de supérfluos e futilidade:

Será inútil dizer: VENHA A NÓS O VOSSO REINO.

Se no fundo o que eu quero mesmo

é que todos os meus desejos se realizem:

Será inútil dizer: SEJA FEITA A VOSSA VONTADE.

Se prefiro acumular riquezas,

desprezando meus irmãos que passam fome:

Será inútil dizer: O PÃO DE CADA DIA

NOS DAI HOJE.

Se não importo em ferir, oprimir e magoar

aos que atravessam o meu caminho:

Será inútil dizer: PERDOAI AS NOSSAS

OFENSAS, ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS

A QUEM NOS TEM OFENDIDO.

Se escolho sempre o caminho mais fácil,

que nem sempre é o caminho de Cristo:

Será inútil dizer: E NÃO NOS DEIXEIS

CAIR EM TENTAÇÃO.

AVIPAE abre Comunidade

Terapêutica Feminina

No começo do mês de julho, a AVIPAE abre mais uma Comunidade Terapêutica, que até o momento só atendia o público masculino, agora

para atender o público feminino, tanto adolescentes quanto adultas. A meta de atendimento será de 30 leitos de internação. A sede da Comunidade Terapêutica Feminina é o antigo Mosteiro Mãe de Deus, localizado na Rua Guaíra, 1.100, Bairro Esperança em Santa Rosa. Para fazer internações entre em contato nos fones: 0XX 55 35123810

ou 0XX 55 84271037.

Família-recuperação-sobriedade

Ao referirmos Família, Recuperação e Sobriedade, percebemos entre ela uma ligação essencial na busca de um novo olhar sobre a vida. A recuperação da dependência química não é algo que acontece de maneira isolada, pois o ser humano não é um ser sozinho, interage, e depende do outro para constituir a sua própria imagem. Ao falarmos deste outro fazemos referência à família com a qual e através da qual se estrutura a personalidade,sedimenta valores, comportamentos, sentimentos, pensamentos (desde a vida intrauterina à infância e adolescência) os quais vão sendo reforçados e/ou transformados no contexto escolar (professores, colegas, figuras de autoridade, etc.) e no meio social onde se vive. Portanto, a autoimagem acontece de maneira dinâmica, consciente e inconscientemente, através dos primeiros vínculos afetivos (família) e da maneira como cada indivíduo vai processando internamente (percepções) este desenvolvimento, o qual acontece singularmente em cada um.

A família possui então papel constituinte no indivíduo e, ao mesmo tempo dizemos que a mesma vai se integrando, se desenvolvendo e se estruturando entre os seus membros através de todo o universo de situações (internas e externas), de afetos, de valores, de possibilidades, de escolhas que se entrelaçam durante toda uma vida.Diante dessas mesmas situações ou acontecimentos nos quais poderão surgir questões ou problemas (que prefiro afirmar como desafios) imprevistos, os quais fogem do controle ou do entendimento, todo o contexto no qual o indivíduo está inserido terá influência sobre os mesmos.Tendo em vista a dependência química, desde a descoberta do familiar sobre o uso, a busca de apoio e a recuperação (constante e por tempo indeterminado) percebemos que, quando a família se abre e se compromete também com a sua própria recuperação e reformulação de vida, fortalecem- se os vínculos afetivos tornando as relações mais firmes, sólidas e confiáveis. Mas, o que é a “RECUPERAÇÃO”? Ligada diretamente na busca da sobriedade, resolvemos refletir sobre a mesma, a qual faz muito sentido, ou todo o sentido quando queremos crescer, amadurecer e nos conscientizarmos do que realmente é importante em nossas vidas. SOBRIEDADE: “temperança, qualidade ou virtude de quem é moderado ou de quem modera apetites e paixões.” Ao nos referirmos à sobriedade e buscando seus significados, podemos refletir que a mesma não se restringe apenas à abstinência de alguma substância. Ampliando nossa visão, e abordando que o ser humano está em constante construção, percebemos que a sobriedade é ou deveria ser uma busca de melhor qualidade de vida, visto que o mundo de hoje, por exemplo, oferece e estimula uma série de compulsões demarcada pelo consumismo exagerado,por produtos que “prometem felicidade”, pela mídia, etc. Podemos ver as pessoas sendo bombardeadas ou seduzidas por coisas e fatos que as distanciam dos seus valores existenciais e essenciais. Sobriedade, neste sentido seria um processo de consciência consciência sobre o que nos faz bem, o que nos acrescenta em detrimento de outros aspectos que nos desviam deste caminho. Sobriedade então é uma maneira de viver, na qual nos estimula a nos libertarmos

dos excessos que causamos a nós mesmos. Excessos de trabalho, de comida, de cobiça, de maus hábitos, de vazios existenciais. A sobriedade vem nos dizer de um equilíbrio, pois onde há excessos por um lado há uma grande falta em outro. Conscientizarmos-nos de nossos verdadeiros valores, aqueles que nos tornam mais humanos, aqueles que nos aproximam de quem realmente somos, aqueles que nos ensinam a olhar o outro como parte de nós mesmos, aqueles que nos ligam a espiritualidade... é um caminho que nos leva à SOBRIEDADE

. Ao buscar um novo olhar sobre a vida, podemos refletir junto com a Família quanto ao surgimento de crises, problemas: é um momento de olhar para nossas angústias, reconhecermos nossos medos e impotências - todavia não ficarmos presos e ressentidos- mas principalmente se constitui um desafio que nos traz a possibilidade de nos desenvolvermos, aprendermos, crescermos e evoluirmos emocional e espiritualmente, internamente e com os outros.

FAMÍLIA (valores, afetos, limites, amor, formação da autoimagem...) – RECUPERAÇÃO (resgate de si mesmo, reconstrução pessoal e familiar...) – SOBRIEDADE (consciência do essencial, novo olhar sobre a vida, renascimento, espiritualidade, autoestima...).

Gigliela Giacomini

EDUCAÇÃO

A educação dos filhos

Filho dos sonhos. Filho sem sonhos.

Cada vez mais cedo os filhos precisam ir à escola, ter todos os tipos de aprendizados, seja de futebol, música, natação, línguas,... Os pais sonham o melhor futuro possível para seus filhos. Mas nesses sonhos,os sonhos dos filhos são esquecidos. E muitos dos problemas acontecem quando os filhos se deparam com situações ou realidades fora dos padrões de aprendizado que os seus pais lhes colocam. Rubem Alves nos proporciona uma reflexão, a partir do texto “Aluno Perfeito”, sobre o que poderíamos chamar de filho perfeito. É um excelente texto para compreendermos as relações familiares, sua composição e suas ações.

O Aluno Perfeito

Era uma vez um jovem casal que estava muito feliz. Ela estava grávida, e eles esperavam com grande ansiedade o filho que iria nascer. Transcorridos os nove meses de gravidez, ele nasceu. Ela deu à luz um lindo computador! Que felicidade ter um computador como filho! Era o filho que desejavam ter!

Por isso eles haviam rezado muito durante toda a gravidez, chegando mesmo a fazer promessas. O batizado foi uma festança. Deram-lhe o nome de Memorioso, porque julgavam que uma memória perfeita é o essencial para

uma boa educação. Educação é memorização. Crianças com memória perfeita vão bem na escola e não têm problemas para passar no vestibular. E foi isso mesmo que aconteceu. Memorioso memorizava tudo que os professores

ensinavam. Mas tudo mesmo. E não reclamava. Seus companheiros reclamavam, diziam que aquelas coisas que lhes eram ensinadas não faziam sentido. Suas inteligências recusavam-se a aprender. Tiravam notas ruins. Ficavam de recuperação. Isso não acontecia com Memorioso. Ele memorizava com a mesma facilidade a maneira de extrair raiz quadrada, reações químicas, fórmulas de física, acidentes geográficos, populações de países longínquos,

datas de eventos históricos, nomes de reis, imperadores, revolucionários, santos, escritores, descobridores, cientistas, palavras novas, regras de gramática, livros inteiros, línguas estrangeiras. Sabia de cor todas as informações sobre o mundo cultural. A memória de Memorioso era igual à do

personagem do Jorge Luis Borges de nome Funes. Só tirava dez, o que era motivo de grande orgulho para os seus pais. E os outros casais, pais e mães dos colegas de Memorioso, morriam de inveja. Quando filhos chegavam em casa trazendo boletins com notas em vermelho eles gritavam: “por que você não é como o Memorioso?” Memorioso foi o primeiro no vestibular. O cursinho que ele frequentara publicou sua fotografia em outdoors. Apareceu na televisão como exemplo a ser seguido por todos os jovens. Na universidade foi a mesma coisa. Só tirava dez. Chegou, finalmente, o dia tão esperado: a formatura. Memorioso foi o grande herói, elogiado pelos professores. Ganhou

medalhas e mesmo uma bolsa para doutoramento no MIT. Depois da cerimônia acadêmica foi a festa. E estavam todos felizes no jantar quando uma moça se aproximou de Memorioso e se apresentou: “Sou repórter. Posso lhe fazer uma pergunta?” “Pode fazer”, disse Memorioso confiante. Sua memória

continha todas as respostas. Aí ela falou: “De tudo o que você memorizou qual foi a coisa que você mais amou? Que mais prazer lhe deu?” Memorioso ficou mudo. Os circuitos de sua memória funcionavam com a velocidade da luz procurando a resposta. Mas aquilo não lhe fora ensinado. Seu rosto ficou

vermelho. Começou a suar. Sua temperatura subiu. E, de repente, seus olhos ficaram muito abertos, parados, e se ouviu um chiado estranho dentro de sua cabeça, enquanto fumaça saia por suas orelhas. Memorioso primeiro travou. Deixou de responder a estímulos. Depois apagou, entrou em coma. Levado

às pressas para o hospital de computadores, verificaram que seu disco rígido

estava irreparavelmente danificado. Há perguntas para as quais a memória não

tem respostas. É que tais respostas não se encontram na memória. Encontram-se no coração, onde mora a emoção...

EDUCAÇÃO

A educação dos filhos

Filho dos sonhos. Filho sem sonhos.

Cada vez mais cedo os filhos precisam ir à escola, ter todos os tipos de aprendizados, seja de futebol, música, natação, línguas,... Os pais sonham o melhor futuro possível para seus filhos. Mas nesses sonhos,os sonhos dos filhos são esquecidos. E muitos dos problemas acontecem quando os filhos se deparam com situações ou realidades fora dos padrões de aprendizado que os seus pais lhes colocam. Rubem Alves nos proporciona uma reflexão, a partir do texto “Aluno Perfeito”, sobre o que poderíamos chamar de filho perfeito. É um excelente texto para compreendermos as relações familiares, sua composição e suas ações.

O Aluno Perfeito

Era uma vez um jovem casal que estava muito feliz. Ela estava grávida, e eles esperavam com grande ansiedade o filho que iria nascer. Transcorridos os nove meses de gravidez, ele nasceu. Ela deu à luz um lindo computador! Que felicidade ter um computador como filho! Era o filho que desejavam ter!

Por isso eles haviam rezado muito durante toda a gravidez, chegando mesmo a fazer promessas. O batizado foi uma festança. Deram-lhe o nome de Memorioso, porque julgavam que uma memória perfeita é o essencial para

uma boa educação. Educação é memorização. Crianças com memória perfeita vão bem na escola e não têm problemas para passar no vestibular. E foi isso mesmo que aconteceu. Memorioso memorizava tudo que os professores

ensinavam. Mas tudo mesmo. E não reclamava. Seus companheiros reclamavam, diziam que aquelas coisas que lhes eram ensinadas não faziam sentido. Suas inteligências recusavam-se a aprender. Tiravam notas ruins. Ficavam de recuperação. Isso não acontecia com Memorioso. Ele memorizava com a mesma facilidade a maneira de extrair raiz quadrada, reações químicas, fórmulas de física, acidentes geográficos, populações de países longínquos,

datas de eventos históricos, nomes de reis, imperadores, revolucionários, santos, escritores, descobridores, cientistas, palavras novas, regras de gramática, livros inteiros, línguas estrangeiras. Sabia de cor todas as informações sobre o mundo cultural. A memória de Memorioso era igual à do

personagem do Jorge Luis Borges de nome Funes. Só tirava dez, o que era motivo de grande orgulho para os seus pais. E os outros casais, pais e mães dos colegas de Memorioso, morriam de inveja. Quando filhos chegavam em casa trazendo boletins com notas em vermelho eles gritavam: “por que você não é como o Memorioso?” Memorioso foi o primeiro no vestibular. O cursinho que ele frequentara publicou sua fotografia em outdoors. Apareceu na televisão como exemplo a ser seguido por todos os jovens. Na universidade foi a mesma coisa. Só tirava dez. Chegou, finalmente, o dia tão esperado: a formatura. Memorioso foi o grande herói, elogiado pelos professores. Ganhou

medalhas e mesmo uma bolsa para doutoramento no MIT. Depois da cerimônia acadêmica foi a festa. E estavam todos felizes no jantar quando uma moça se aproximou de Memorioso e se apresentou: “Sou repórter. Posso lhe fazer uma pergunta?” “Pode fazer”, disse Memorioso confiante. Sua memória

continha todas as respostas. Aí ela falou: “De tudo o que você memorizou qual foi a coisa que você mais amou? Que mais prazer lhe deu?” Memorioso ficou mudo. Os circuitos de sua memória funcionavam com a velocidade da luz procurando a resposta. Mas aquilo não lhe fora ensinado. Seu rosto ficou

vermelho. Começou a suar. Sua temperatura subiu. E, de repente, seus olhos ficaram muito abertos, parados, e se ouviu um chiado estranho dentro de sua cabeça, enquanto fumaça saia por suas orelhas. Memorioso primeiro travou. Deixou de responder a estímulos. Depois apagou, entrou em coma. Levado

às pressas para o hospital de computadores, verificaram que seu disco rígido

estava irreparavelmente danificado. Há perguntas para as quais a memória não

tem respostas. É que tais respostas não se encontram na memória. Encontram-se no coração, onde mora a emoção...

GERAL

Trabalho da Igreja Católica, do Projeto

Ficha Limpa, já mostra seus resultados

A Campanha da Ficha Limpa, promovido e organizado pela Igreja Católica em todo o Brasil, que recolheu milhões de assinaturas, tornada lei, já mostra os seus primeiros resultados positivos para a política brasileira. São 36 deputados e senadores, candidatos a reeleição, que estão sob investigação do Supremo Tribunal Federal. Estes estão ameaçados de ficar inelegíveis por estarem ligados a crimes como trabalho escravo, corrupção, crimes eleitorais e até mesmo homicídios. Estudos de jornais brasileiros mostram que a cada três dias é feito um pedido de abertura de inquérito ou de alguma ação penal contra políticos. A soma deste ano é de 60 procedimentos. Segundo estudo do Instituto Humanitas, “a quatro meses da eleição, esse número é 130% maior que o mesmo período de 2009, quando o Ministério Público havia pedido a abertura de 18 inquéritos e 08 ações penais”. “Se condenados, eles não poderiam concorrer neste ano graças à Lei do Ficha Limpa”. Na opinião do maior jornal da França oLe Monde, “a adoção da lei ficha limpa é uma vitória política e moral espetacular da sociedade civil em um país onde a corrupção e seus corolários – nepotismo, clientelismo, favoritismo – corroem a vida pública em todos os níveis, dos ministros aos mais modestos vereadores. A opinião pública mostrou com impacto que ela não quer mais ser representada por políticos de ficha suja”. A punição ou não desses políticos depende da justiça. Segundo o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro

Ricardo Lewandowski, em entrevista, “o eleitor pode ter certeza de que a Justiça Eleitoral aplicará a Lei da Ficha Limpa com o máximo rigor. Ela vai pegar, pois corresponde ao desejo manifestado pela sociedade brasileira de moralização dos costumes políticos”.

A educação torna-se uma preocupação maior dos brasileiros

Em pesquisa recente pelo Ibope Inteligência e promovida pelo Movimento Todos Pela Educação e pela Fundação SM, sobre as áreas de maior preocupação, a educação passa de 7º para 4º lugar numa lista de 08 áreas específicas de maior preocupaçãodos brasileiros. A preocupação com

a educação básica, citada por 27% dos 2002 entrevistados, superou o problema da Fome/Miséria (20%), Corrupção (15%) e Salários (12%). Durante a pesquisa, 6% das pessoas ainda colocaram o ensino como primeira opção de área problemática. Acima da educação estão Empregos e Drogas, empatados com 29%, Segurança Pública, com 42%, e Saúde, que ainda é a área que mais preocupa os brasileiros, comíndice de 66% e citada como primeira opção por 41% das pessoas. Segundo os brasileiros consultados, o tema da educação deve ter posição prioritária na pauta dos candidatos das eleições de outubro, sejam presidentes, governadores ou representantes do Poder Legislativo, e na elaboração de projetos que ajudem a solucionar os problemas do país. 28% dos entrevistados acreditam que a educação é uma área que deve merecer atenção especial dos presidenciáveis. Colocar a Educação como área de destaque nos projetos políticos dos candidatos eleitos é uma das intenções do Todos pela Educação, que procura atingir 05 Metas

até o ano de 2022. As metas incluem a colocação de crianças e jovens de 04 a 17 anos nas escolas; a completa alfabetização até os 08 anos; o aprendizado adequado à série do aluno; o ensino médio concluído até os 19 anos; e os investimentos ampliados na área.

NOTICIAS E PALAVRA DO BISPO

Família em transformação!

A história é recheada de transformações. São elas que dão o sentido da vida. Uma vida que não se transforma, que não vai tendo mudanças, parece perder a graça. Da mesma forma que em todos os setores da sociedade há mudanças, a família não escapa a esta situação de ter que se transformar. As mudanças não são fáceis num primeiro momento. Não é de hoje que se fala que a família está em crise, por suas muitas transformações. Nem por isso significa que a família vai acabar. O que está acabando são modelos que eram considerados perfeitos, ideais, únicos, que foram criados por algumas instituições que naquele momento estavam no poder. A tentação é, nesse tempo de configuração de novos jeitos de viver em família, afirmar que todos os tipos de relações constituem uma família. E que tem que ser algo muito novo. No entanto, os princípios de relação familiar não são novos e não são qualquer coisa. A família é uma construção que se faz entre pessoas que namoram, passam por um processo de conhecimento e amadurecimento, norteados pelo amor. Um amor efetivo que é a base para viver uma vida e gerar novas vidas. Mais forte que qualquer crise familiar, esses princípios são as possibilidades de ser e ter uma família. Mais que casamento, mais que sexo, mais que dinheiro, mais que estudo,... a família é um processo de construção de vidas no amor em busca de felicidade. É a falta disso que colocou modelos em crise. Mas da crise novos jeitos nascem. E, nascem para o tempo presente.

A Assembleia dos Bispos

Repercutindo os 50 anos da capital federal e os 50 anos da Arquidiocese de Brasília, a CNBB realizou, nessa cidade, sua 48ª Assembleia Geral e participou, em seguida,

do XVI Congresso Eucarístico Nacional. Dos muitos assuntos propostos e aprofundados, durante as sessões de estudo e debate da Assembleia, merecem destaque os seguintes: A nova compreensão e valorização da Palavra de Deus, como tema central. Do movimento bíblico, antes do Concílio, chegouse, com o Concílio, a uma pastoral bíblica e, com a Conferência de Aparecida e o recente Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus, a uma animação bíblica de toda a pastoral. Metaforicamente falando, a Palavra de Deus não pode ser apenas um ramo da árvore que é a Igreja, mas a seiva que percorre todo o tronco e nutre todos os ramos. Ela é a alma de toda a ação evangelizadora. O fruto almejado dessa animação bíblica é o testemunho de comunhão dos discípulos missionários para que o mundo creia e alcance a plenitude da vida. O tema será retomado em futura Assembleia, após a promulgação da Exortação Apostólica pós-sinodal do Papa, quando será publicado como documento oficial. A reafirmação das CEBs, como sinal da vitalidade da Igreja. Em mensagem a todo o povo de Deus, os bispos, diante dos novos desafios de viver em comunidade, numa sociedade globalizada e urbanizada, recomendam que é preciso valorizar as experiências de sociabilidade básica: as relações fundadas na gratuidade, que se expressa na dinâmica de oferecer-receber-retribuir, dentro das categorias fundamentais de comunhão, diaconia e profecia. Como pastores, afirmam os bispos, olhamos as CEBs com carinho, estamos à sua escuta e tentamos descobrir através de sua vida o caminho que se abre para o futuro. A declaração sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3). Esse tema, acrescentado à pauta por alguns Regionais, gerou tensa discussão entre os bispos, que confirmaram haver nele elementos de consenso que podem e devem

ser implementados imediatamente... Entretanto, identificamos também determinadas ações programáticas que não podem ser aceitas, tais como a prática e a descriminilização do aborto, o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, a adoção de crianças por casais homoafetivos e a profissionalização da prostituição.

A carta aos padres. Quer expressar à multidão dos presbíteros fieis e dedicados ao seu ministério, ao término do ano sacerdotal, o caloroso apoio dos bispos, a satisfação e a plena confiança no seu trabalho. A declaração sobre o momento político nacional . Nela se acena ao momento importante que o país vive, aos mega-projetos, sobretudo na Amazônia, ao desafio de uma autêntica reforma agrária, ao voto ético, esclarecido e consciente nas eleições, à Ficha Limpa, à militância leiga na construção de um País melhor para todos. Quanto ao Acordo entre o Brasil e a

Santa Sé, foi anunciado que a CNBB constituirá dez comissões para orientar sua aplicação concreta.

Dom José Clemente Weber

Bispo Diocesano

domclemente@san.psi.br

Seminarista da Teologia Rafael

Backes será ordenado Diácono

O seminarista Rafael Backes, que está cursando teologia em Santo Ângelo, será ordenado Diácono no dia 01 de agosto de 2010. A ordenação vai ser na Catedral Angelopolitana, com início às 9h. Rafael é da Paróquia de Candido Godói e fez

todo o processo de formação para o Sacerdócio nos Seminários da Diocese. Tem como lema de sua ordenação Diaconal “O amor jamais passará” (1Cor 13,8).

Para quem quiser almoçar na festa, que acontecerá no salão paroquial da Catedral, logo após a celebração, é preciso fazer reserva de cartão até o dia 24, na Secretaria da Paróquia da Catedral pelo fone 55 3312 1416, ou no Teologado através do fone 55 3313 1720. Na ocasião será feito também o sorteio da Ajuda Vocacional, às

13h30min.

Paróquia de Giruá celebra Semana

do Sagrado Coração de Jesus

Na sequência das atividades de Corpus Christi, com grande inovação na confecção dos

tapetes, nos dias 04 a 11 de junho a Paróquia Católica de Giruá celebrou a semana do Sagrado Coração de Jesus, seu padroeiro. Foi uma semana de intenso trabalho de evangelização, com a realização de visita às casas das famílias com bênçãos e entronização do Sagrado Coração de Jesus nas casas e nas comunidades. A visita e bênção foram feitas por ministros e ministras e leigos que dedicam sua vida à Igreja, todos da Paróquia de Giruá. A visitação foi dividida em 10 núcleos, sendo que cada um de várias comunidades por proximidade. Ao final de cada dia fez-se uma grande celebração. O total de pessoas que atuou no projeto foi acima de 100. Uns trabalharam apenas um dia, outros dois e, alguns todos os dias. Essa ação fez parte da comemoração dos 60 anos da Paróquia de Giruá que se completa em 2011.

Ministros das foranias de Santo

Ângelo, Santo Cristo e Cerro Largo

continuam com formação

O retiro da Forania de Santo Ângelo acontece nos dias 07 e 08 e, para quem preferir,

também nos dias 10 e 11 para fazer seu retiro. Ambos os encontros serão no Seminário, em Santo Ângelo. Na forania de Santo Cristo o retiro vai ser no dia 28, na Paróquia de Santo Cristo, no Seminário Pe. Adolfo Gallas. Os ministros

da forania de Cerro Largo têm seu retiro no dia 31, na Paróquia de Cerro Largo. Todos os encontros têm seu início às 8h30mim.

O setor da catequese tem mês de

julho cheio de atividades na diocese

Com diversos encontros de formação em todas as foranias, o mês de julho é repleto de atividades para a catequese da diocese de Santo Ângelo. Começa, já no dia 03, com a Escola Diocesana de Catequese da Forania de Santa Rosa, realizado na Paróquia daAuxiliadora. No dia 10 a Forania de Cerro Largo tem Jornada Bíblico-Catequética. O encontro é na Paróquia de Roque Gonzáles. No dia 17 a Forania de

Três de Maio vai ter mais um encontro da Escola Diocesana de Catequese, na Paróquia de Dr. Maurício Cardoso. E, no dia 31, acontece a Jornada Bíblico-Catequética da Forania de Santo Ângelo. O encontro vai ser na Paróquia de Catuípe.


Paróquia de Santo Cristo perde

um de seus grandes ministros

Protásio partiu de nosso meio no dia 14 de junho de uma forma muito repentina, que chocou toda a Paróquia Ascensão do Senhor de Santo Cristo.

Protásio Sturm, era da turma dos primeiros Ministros da Palavra e da comunhão Eucarística provisionados na Diocese, portanto já atuava há 35 anos no ministério. Conhecido também pelo seu trabalho dedicado à limpeza e restauração dos cálices, patenas, crucifixos para tantas comunidades e paróquias. Era assíduo assinante e leitor do Jornal Missioneiro. Conhecido por todos os padres e lideranças da Diocese, foi sempre uma presença muito amiga nas comunidades onde passou. Por dezenas de anos foi catequista, atuou como coordenador de Catequese da Paróquia de Santo Cristo, coordenou a catequese da Forania de Santo Cristo por muitos anos e participou da Coordenação Diocesana de Catequese. Atuou em diversos setores de Pastoral. Sempre lutou para que todos pudessem viver num mundo

melhor, sem injustiças, corrupções e maldades.

Filhas do Sagrado Coração de Jesus recebem

visita da madre geral

A Madre Geral da Congregação Filhas do Sagrado Coração de Jesus visita as casas da Congregação da América Latina. A Madre Suor Luciana Welponer, natural de Trento na Itália, acompanhada da Primeira Conselheira da Congregação a Ir. Beatrice Dal Santo, de Verona/Itália, estiveram na nossa região no começo do mês de junho em visita a Santo Ângelo, Giruá, Três de Maio e, também, no município de Santiago. Em Giruá a recepção culminou num jantar típico italiano, onde foi entregue, pela Paróquia Sagrado Coração de Jesus e Prefeitura Municipal, uma placa de agradecimento à Congregação pelo trabalho de atendimento à saúde prestado no município.

Paróquia de Santo Cristo em Missão

Para celebrar o 5º aniversário das Santas Missões Populares, a equipe de Animação Missionária sugeriu na Assembleia de Pastoral Paroquial que se fizesse neste ano uma atividade missionária que mexesse com todas as famílias da Paróquia. Várias sugestões vieram dos grupos, mas a que mais animou a todos, a exemplo de 1988, foi a de que a imagem de Nossa Senhora de Fátima visitasse todas as comunidades e que além da visita os missionários levassem a bênção de Deus a todos os lares. Após a Assembleia a Equipe de

Animação elaborou um roteiro de como seria feito o tríduo de celebrações:

- Na primeira noite a comunidade que traz e que recebe Nossa Senhora de Fátima, faz a reza do terço missionário e assiste ao filme “Aconteceu em Fátima”. - Na segunda noite é realizada uma celebração penitencial bem preparada; - Na terceira noite a grande Celebração Eucarística de ação de graças e partilha.- De dia: Todas as famílias estão sendo visitadas por missionários de outras comunidades que abençoam as casas. Após três dias de estada em cada comunidade, esta conduz em Procissão a imagem de Nossa Senhora de Fátima para a comunidade seguinte. Esta missão com peregrinação da Imagem de Nossa Senhora de Fátima, iniciou no dia 30 de maio na Festa da

Paróquia com envio de todos os 400 missionários. A partir daí a imagem foi

levada para as comunidades. O encerramento será no dia 08 de dezembro com grande Romaria Paroquial de todas as comunidades ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima em Rolador Baixo.